APRESENTAÇÃO
O
MFC de todo o Brasil já está vivendo o XVI ENA. Nesse
restante da caminhada que nos separa do Encontro, de pouco menos de 1 (um)
ano até o dia 15 de julho de 2007 (data marcada para o início
deste Encontro Nacional) a Equipe de Metodologia e Conteúdo dispara
a segunda etapa de preparação para o maior evento que o MFC
do Brasil realiza a cada três anos. A primeira etapa que consistiu de
uma grande consulta sobre os principais desafios que o MFC que cada região
(CONDIR) enfrenta, já foi concluída e, para tanto, contou com
a magnífica colaboração das Equipes Base presentes em
todas as cidades onde o MFC atua. As fichas que as Equipes Base preencheram
e enviaram para as Equipes de Coordenação das cidades, constituíram
a base de dados que permitiram que a Equipe de Metodologia e Conteúdo,
reunida na cidade de Vila Velha, ES, nos dias 16 e 17 de setembro, desvelasse
os cinco (cinco) grandes desafios que as regiões elegeram para serem
debatidos e estudados. Colocados em ordem lógica, segundo alguns critérios
pré-estabelecidos, mas principalmente com relação àqueles
que se referem à Metodologia Participativa, os desafios ficaram assim
definidos e organizados:
1o: “Crise Familiar” - CONDIR Sul –
para o dia 16 julho de 2007, segunda feira;
2o: “Conscientização da responsabilidade Familiar
e Social” – CONDIR Norte – para
o dia 17 de julho de 2007, terça feira;
3o: “Evangelização e Conscientização
na Família” – CONDIR Nordeste
– para o dia 18 de julho de 2007, quarta feira;
4o: “Motivação: na nucleação, na
expansão e fortalecimento do MFC” – CONDIR
Centro Oeste – para o dia 19 de julho de 2007, quinta feira;
5o: “Resgate do carisma do MFC - Profético e Libertador”
– CONDIR Leste – para o dia 20 de julho
de 2007, sexta feira.
Para cada um desses grandes desafios, a Equipe de Metodologia e Conteúdo
(Eq. de M&C) elaborou um respectivo Módulo de Estudo que estão
sendo enviados às Equipes Base, um a cada mês, sendo o MÓDULO
I neste mês de novembro de 2006, e os demais nos meses subseqüentes.
Os integrantes da Eq. de M&C solicitam às Equipes Base que destinem
pelo menos uma reunião da equipe para o estudo e reflexão de
cada um dos módulos. Depois de concluído o estudo de cada módulo,
a síntese dos trabalhos deverá ser encaminhada à ECCi
(Equipe de Coordenação da Cidade). A ECCi reunirá todas
as sínteses dos 5 (cinco) Módulos que cada Equipe Base produziu
e enviará diretamente aos Coordenadores do CONDIR de sua região
(o encaminhamento pode passar pela Equipe de Coordenação Estadual
– ECE, se assim for mais conveniente para cada realidade local). Todo
esse material deverá chegar à Coordenação de cada
CONDIR até a data limite de 30 de abril de 2007.
Os Módulos de Estudo foram propostos com a finalidade de se atingir
os seguintes objetivos:
• Permitir que a imensa maioria dos Mefecistas que não poderão
estar presente no XVI ENA na cidade de Araraquara, SP, possam dele participar
diretamente, refletindo sobre os grandes desafios que o MFC atualmente enfrenta,
analisando suas origens e causas, considerando como estas causas influem sobre
a vida dos Mefecistas e do MFC, apontando pistas de como superá-los
e indicando as perspectivas de ações pessoais e do MFC como
um todo, na hipótese de suas superações. É evidente
que tais reflexões acabam sendo bastante particulares, pois que são
geradas no âmbito restrito da Equipe Base. Porém, reunidas e
convenientemente analisadas em conjunto, proporcionam um estudo de uma realidade
mais ampla, ainda que regionalizada, dos desafios atuais enfrentados pelo
nosso MFC.
• O resultado final desses Módulos de Estudo realizados pelas
Equipes Base (portanto, gestados por pessoas com formações culturais
muito próximas), terão imenso valor referencial para os mesmos
estudos e reflexões que serão desenvolvidos pelas Comunidades
de Trabalho (constituídas por Mefecistas de todas as regiões
do Brasil e, portanto, pessoas portadoras de grande diversidade cultural)
durante a realização do XVI ENA. Pode-se dizer que, num certo
sentido, os resultados finais desses Módulos de Estudo poderão
conferir certa validade aos estudos e reflexões que serão produzidas
ao longo do XVI ENA. Ambos, portanto, se complementam e, por isso, são
igualmente importantes.
• As reflexões e estudos acerca dos desafios enfrentados pelo
MFC na atualidade (que não são tão novos assim, mas que
hoje se apresentam como tais) constituem, em si mesmos, excelentes oportunidades
para formação e crescimento da Equipe Base e dos Mefecistas
que a integram. A proposta para o ENA e também para este pré
ENA, é tratá-los com uma forma nova de ver e analisar os problemas
que atingem nossa família a partir de nossa sociedade, à luz
do texto do Evangelho encontrado em Ef. 4, 17-24, que fala de “um homem
novo”. Assim, contextualizando o evangelho aos desafios propostos, fazem-se
necessário tratar velhos assuntos nossos conhecidos, com uma forma
nova de enxergar o mundo, nos adaptando às realidades atuais da sociedade
na qual nos inserimos. Quando exercitamos nossa capacidade de refletir sobre
tudo o que está afetando os nossos relacionamentos intra e inter familiar,
independentemente de ser ou não um estudo pré ENA, estamos pondo
em prática a metodologia do MFC; estamos nos proporcionado oportunidades
de revisão de vida e aprofundamento da fé. Chegamos numa encruzilhada
da vida e isso exige tomada de decisão. Podemos rever a caminhada e
podemos escolher novos rumos.
Por tudo isso, os integrantes da Eq. de M&C, mais uma vez, solicita o
empenho e a disposição fraterna de cada Mefecista em particular
e de cada Equipe Base em realizar mais essa tarefa. O estudo desses Módulos
não pode deixar de ser realizado.
Com a Graça de Deus-Pai e sob a inspiração do Divino
Espírito, os integrantes da Equipe de Metodologia e Conteúdo
conclamam a todos os Mefecistas do Brasil a atender a mais esta solicitação.
Desde já nosso muito obrigado.
Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006
MÓDULO I
“CRISE FAMILIAR”
(Desafio eleito pelo CONDIR SUL)
INTRODUÇÃO.
A Metodologia Participativa é essencialmente um procedimento democrático
de valorização das idéias e práticas de um grupo;
é um processo de criação coletiva fundamentado num saber
pré-existente. Nesta metodologia participar é ter o poder de
decisão, e negá-lo ou recusá-lo é transferir este
poder aos outros. A Metodologia Participativa é, portanto, não
diretiva, isto é, ninguém é o “dono da verdade”.
Uma das maneiras de se aplicar, na prática, tal metodologia, é
servir-se de um procedimento já muito difundido, conhecido por ver
– julgar – agir – celebrar – avaliar (estes dois últimos
foram acrescentados na prática das CEBs).
Para cada um dos Módulos de Estudo de pré-ENA, que se inicia
com este, recomenda-se que a Equipe Base utilize um dos passos desse processo.
Assim, para o Módulo I (“Crise Familiar”), é recomendável
que a Equipe use o primeiro passo que é o VER.
Por “ver” entende-se que cada Mefecista integrante da Equipe Base,
lance seu olhar sobre a sociedade, desde os segmentos sociais mais próximos
até os mais distantes; busque detectar as possíveis influências
que os mais diversos campos da sociedade (social, político, econômico,
familiar, religioso, esportivo, cultural, segurança pública,
etc) exercem sobre a família, e que podem provocar a chamada “Crise
Familiar”. Num mundo cada vez mais globalizado, um determinado evento
(de grande ou mesmo de pequena repercussão local) ocorrido num lugar
qualquer do planeta, pode afetar muito as vidas das pessoas de um outro lugar
(num espaço de tempo incrivelmente curto). Ter consciência disto
pode proporcionar atitudes libertadoras (não alienantes) para os problemas
também globalizados que afetam a sociedade e a família de hoje.
Entretanto, o grande paradoxo é que não é possível
encontrar-se soluções únicas para esses problemas (soluções
globalizantes) dado que as realidades locais se apresentam muito diferentes
umas das outras. Portanto, em primeiro lugar, é necessário que
se aprenda a descobrir quais são as influências que estão
a produzir ou induzir o surgimento das crises que se abatem sobre as pessoas
ou famílias, analisá-las sob a ótica local para, posteriormente,
tentar soluções adequadas e específicas para cada família,
comunidade ou parcela social afetada. Isto significa que as crises familiares
quase sempre têm origem na sociedade e nas suas influências. É
preciso pensar globalmente e agir localmente.
Um bom exemplo de como essas influências da sociedade globalizada produzem
crises na família, está no sistema de valores que a atual geração
construiu (e ainda constrói) e adota como normas de conduta socialmente
aceitas. É fácil reconhecer e se constatar que esse sistema
de valores é diferente daquele que os pais (geração anterior)
admitem como correto e ético. A construção desses atuais
sistemas de valores foi e está sendo fortemente influenciada pelos
veículos de comunicação social (rádios, revistas,
TVs, internet, etc) e também pela facilidade e rapidez proporcionada
pelos mesmos na interação entre os grupos sociais dessa faixa
etária. As diferenças entre as listas dos valores, encontrados
nos sistemas de valores de pais e de filhos, podem gerar confrontos de difícil
solução e conflitos freqüentes no ceio da família.
O fato é que esta diferença é a grande motivadora das
inúmeras crises no relacionamento pais e filhos.
TEXTO DE REFERÊNCIA.
O texto a seguir foi extraído do folheto Informativo denominado “Terceira Hora”, publicado pelo CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil) n0 04, intitulado “Análise de Conjuntura – Agosto 2006”. Ele deve ser entendido como um exemplo de como a Equipe Base pode e deve explorar outras influências oriundas dos diversos campos da sociedade.
“Da
insegurança pública a uma tragédia social”
“No caso de São Paulo, a origem da principal facção
criminosa – o PCC – pode ser remontada ao massacre do Carandiru,
quando uma rebelião foi esmagada com o assassinato de 111 presos acuados
e indefesos. A impunidade dos assassinos e a tácita aceitação
pública deram àquela organização criminosa a oportunidade
de tornar-se um instrumento de autodefesa da população carcerária.
Defesa e opressão, porque submetem os presos ao seu controle mediante
ameaças à sua vida e a de seus familiares. Essas organizações
são capazes de usar qualquer meio para fazer valer sua vontade: assassinatos,
queima de ônibus, bombas, paralisação da cidade, seqüestro
de jornalista... Por sua vez, as forças policiais dão mostra
de só saberem reagir pelo uso de maior violência: vingam seus
mortos executando grande número de suspeitos. Essa realidade deixa
perplexa a sociedade e interpela nossas instituições. A superlotação
é a principal causa da rotineira revolta dos presos. Não há
como controlar o sistema prisional sem espaço suficiente para os presos.
O costumeiro desrespeito à Lei de Execução Penal favorece
a promiscuidade entre os presos e agentes do sistema carcerário e a
sua corrupção. Neste quadro, quando uma rebelião ultrapassa
os limites do presídio só resta ao Estado a alternativa de negociar
com as organizações criminosas. E a complacência do Estado
com os bandidos é o principal ingrediente do crime organizado que se
aloja em suas entranhas. Incapaz de desarmar a população e garantir
a segurança pública, o Estado perde o monopólio da força.
Aqui, como em Tel-Aviv e em Washington, predomina a lógica militarista
segundo a qual a força vencerá o crime. Assim, espaços
fora do controle policial, como os morros e aglomerados de periferia, são
encarados como território inimigo.”
“Os movimentos Sociais”
“Desde 2005 os movimentos sociais apresentam um reascenso na articulação
e força política, além de maior clareza de posicionamento
em relação ao atual governo. Percebe-se uma lenta, mas progressiva
superação do refluxo provocado, no início dos anos 90,
pela política neoliberal, pelo desemprego, pela mudança da natureza
do estado e pela repressão social. Os movimentos sociais mantêm
a unidade em torno de objetivos históricos, como a reforma agrária,
a oposição à política neoliberal, a luta pela
auditoria da dívida pública e a universalização
da educação. Permanecem também seus desafios: construir
maior solidariedade entre os movimentos; conquistar apoio da sociedade para
as lutas; articular-se com as redes internacionais; elevar o nível
de formação e de consciência política de seus militantes;
garantir a contribuição das religiões, cuja espiritualidade
e ética são indispensáveis para a reconstrução
social. Neste cenário, as Assembléias Populares têm revelado
sua força articuladora em torno da construção de um Projeto
Popular alternativo que ajude a construir o “Brasil que Queremos’.
Uma metodologia de consulta ao povo, que aposta na participação
popular real e efetiva, buscando novos canais e caminhos de controle social
e inventando novas formas de democracia direta e participativa conjuntamente
com a democracia representativa. O Grito dos Excluídos, em sua 12aedição,
vem apresentando crescimento como espaço articulador e de manifestação
massiva.”
SÍNTESE
Para
finalizar o trabalho, a Equipe Base deve escrever uma síntese que contenha
todas as influências da sociedade (de todos os campos) que a Equipe
considerou como importantes na geração das crises familiares
que hoje enfrentamos, não apenas no seio de uma família, mas
também nos relacionamentos entre as famílias e no próprio
MFC. A ordem dessa lista de influências poderia ser da mais importante
para a menos importante no entender da equipe.
Observação importante: o trabalho consiste “apenas”
nisto: discutir quais são as influências que geram crises na
família e ordená-las. O objetivo desse trabalho é tomar
consciência que elas existem e influem em nossas vidas mais do que rotineiramente
percebemos.
FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA
Escolha um texto Bíblico que tenha iluminado e norteado os trabalhos da Equipe.
Equipe
de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006
MÓDULO II
“CONSCIENTIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA FAMÍLIA”
(Desafio
eleito pelo CONDIR NORTE)
INTRODUÇÃO
Para
este Módulo II (“Conscientização da responsabilidade
familiar e social”), é recomendável que a Equipe use o
segundo passo que é o JULGAR.
Por julgar deve-se entender um processo pelo qual, diante de uma bem exposta
conjuntura (um “ver” bem realizado), as pessoas possam considerar
como os efeitos das influências da sociedade pesam sobre a estrutura
familiar. Nele, esses efeitos podem ser julgados e iluminados a partir das
referências teóricas e práticas nas quais se baseiam o
sistema de valores que cada membro da Equipe Base adota como justos e orientador
das suas práticas de vida. Trata-se de um processo em que os integrantes
da equipe procuram entender (compreender) de que forma os ataques provenientes
dos mais diversos campos da sociedade atingem a família e são
capazes de desencadear uma crise ou uma situação desagregadora.
Muitas vezes, diante da sutileza como as influências atingem as famílias,
essa análise pode se tornar bem difícil. Porém, é
um exercício importante e necessário, pois por meio dele os
problemas gerados a partir dessas influências vão sendo aos poucos
bem delineados. Principalmente se realizado com a efetiva participação
de todos.
Nesta oportunidade, a Equipe Base deve se restringir a um julgamento que possua
bases puramente humanas deixando para o módulo seguinte um julgamento
com base nos critérios cristãos. Assim, a equipe deve condicionar
sua análise a partir dos princípios de justiça, de ética
e de moral que constituem a base de qualquer sociedade ou nação.
Mais uma vez: procurem deixar para o Módulo III a análise que
leve em conta os princípios cristãos presentes nos Evangelhos.
TEXTO DE REFERÊNCIA
“A
família, no plano do Criador, é o santuário da vida familiar
e, por isso mesmo, é uma grande riqueza querida por Deus. Entretanto,
no plano estritamente humano a família não está livre
dos ataques e, por vezes, até mesmo do desprezo que a própria
sociedade humana lhe desfere. As conseqüências da desestruturação
familiar pesam sobre cada pessoa e sobre as famílias e até à
própria sociedade. Isto todos nós podemos observar e sentir
na própria pele. Como integrantes do MFC temos o dever em manifestar,
tornar clara a conscientização da responsabilidade da Família
em reverter toda situação negativa e opressora em que se encontra.
O processo pode e deve ser revertido de dentro para fora. De dentro das famílias,
para fora, isto é para a sociedade. Infelizmente nem todos têm
esta consciência e por isto, muitos se omitem em se colocarem a favor
das famílias. Não fazê-lo é atitude pouco sábia,
anti-econômica e anti-ética. Os custos para a sociedade e para
o Estado, que decorrem do fracasso da família na formação,
transmissão de valores e de caráter de seus filhos, são
enormes. Os prejuízos humanos são maiores ainda.
É chegada hora de a família assumir, com mais cuidado, o seu
papel insubstituível de formadora de pessoas com elevado senso de justiça,
defensoras da ética e da moral. Pessoas que possuam consciência
da verdadeira política e, por conseguinte, sejam bons e exemplares
cidadãos. É na família estruturada e vivendo dignamente
que se pode exercitar, desde a aurora da vida, o respeito a toda e qualquer
pessoa, a valorização incondicional da vida e da dignidade da
pessoa humana, a solidariedade, a tolerância, o amor gratuito e tantos
valores necessários a um saudável convívio social. É
na família que se educa para os limites e para o trabalho. E se isto
não é feito pela família, no tempo adequado, dificilmente
será feito depois ou recuperado com eficiência em outros ambientes
e por outros organismos.
É necessário olhar criticamente para a educação
e para a formação de nosso povo. Assim é possível
entender o que está acontecendo, onde falham as nossas famílias
e aperfeiçoar a riqueza dos valores humanos como a amizade, o falar
sempre a verdade, o governar com ética e honestidade, agir com lealdade,
respeito, alegria, ternura, bondade, e evidenciar em todas as nossas ações
a justiça, e tantas outras virtudes que aperfeiçoam o caráter
e a pessoa humana. Numa visão crítica vamos notar que temos
uma enorme oportunidade de aperfeiçoamento em nossa educação
em geral e principalmente na parcela de responsabilidade que tem a família.
Por esta reflexão é imediato constatar que vivemos a insegurança
diante das violências, relacionamentos instáveis, degradação
do meio ambiente, injustiça na partilha de riquezas, conflitos nas
famílias e nas comunidades, conflitos entre os povos, dificuldades
de gerenciar nossos sentimentos, dificuldade de constituir e viver em família”.
O artigo intitulado “Como ser família hoje?” publicado
na revista Fato e Razão no 57, à página 74, de autoria
de Hélio e Selma Amorim, proporciona um julgar interessante a respeito
de algumas das principais influências que pressionam as famílias
no mundo de hoje:
1 – A comunicação interpessoal na família contra
a pressão dos MCS e a internet.
A TV inaugurou um novo tipo de isolamento entre as pessoas da família;
mesmo que seja um único aparelho em casa, as pessoas permanecem juntas
e distantes, como que hipnotizadas pelas tramas das novelas ou filmes, não
mais conversam; no máximo discutem para disputar o programa de sua
preferência contra as dos demais; pior se começar a surgir mais
aparelhos: nos quartos, na cozinha... E a internet veio agravar o problema:
são horas de isolamento individual roubadas ao diálogo familiar.
2 - A revalorização da ética contra a banalização
da esperteza.
Nunca se viu tamanha onda de assaltos ao dinheiro público associado
a uma impunidade indecente, passando a idéia de que o crime compensa;
revelam-se redes inacreditáveis de cumplicidades de togas e colarinhos
brancos; os roubos só se medem agora em milhões de dólares,
e só são presos os que roubam pouco e não podem pagar
advogados para uma liberdade tranqüila, com base em liminares e outras
medidas judiciais bastante caras.
3 - A austeridade contra o consumismo insustentável.
A pressão sobre as famílias para consumir sempre mais, com o
apoio de uma propaganda intensa, atinge a economia da família, induz
a estender-se a jornada de trabalho para aumentar a renda familiar, contribui
para o esgotamento de nossas riquezas minerais e a devastação
de nossas florestas; o desperdício é monumental e o consumismo
é antiecológico. A crise de energia no Brasil e nos Estados
Unidos, o efeito estufa e o aquecimento do planeta, dentre outros estragos
da natureza têm sua raiz no consumismo obsessivo, uma das características
do modelo econômico vigente; a austeridade é a contraposição
ao consumismo; exige uma atenção especial de toda a família,
para descobrirem, juntos, a dimensão libertadora da austeridade.
4 - A educação para a cooperação contra a tendência
à competição desvairada.
Também é própria do modelo econômico neoliberal,
agora globalizado, a competição regida pelas leis de mercado;
a solidariedade e cooperação estão excluídas das
relações sociais; a busca de competitividade tornou-se uma obsessão;
compete-se não só no comércio, mas na profissão,
no trabalho, em quase todas as relações sociais externas à
família; esse espírito de competição acaba sendo
levado para dentro de casa e degrada as relações familiares
de cooperação e gratuidade; cria também um endurecimento
nas próprias relações sociais, alimentando o individualismo.
5 - O exercício da cidadania contra a alienação sócio-política.
Há uma evidente conspiração para manter o povo politicamente
alienado; as famílias são envolvidas por noticiários
diários manipulados por interesses comerciais e políticos que
impedem o acesso à verdade dos fatos; povo conscientizado reduziria
o espaço de manobra dos que se servem da política em benefício
pessoal e muitas vezes aos assaltos aos cofres públicos; pais alienados
não estimulam os filhos a assumir a sua cidadania e uma presença
transformadora na sociedade; criam-se personalidades individualistas e alimenta-se
o mito de que “a política é coisa suja”, ou perigosa.
“Não se meta nisso, meu filho”.
SÍNTESE
Para finalizar o trabalho, a Equipe Base deve escrever uma síntese que contenha uma breve análise de como e porque as influências da sociedade (de todos os campos) geram as crises familiares que hoje enfrentamos. Se for possível pode-se citar alguma referência bibliográfica (um livro, um autor, uma lei, etc.) que fundamente a análise. O objetivo é este: entender como e em que extensão, uma determinada influência é capaz de provocar crise familiar.
FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA
Escolha um texto Bíblico que tenha iluminado e norteado os trabalhos da Equipe.
Equipe
de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006
MÓDULO III
“EVANGELIZAÇÃO
E CONSCIENTIZAÇÃO NA FAMÍLIA”
(Desafio eleito pelo CONDIR NORDESTE)
INTRODUÇÃO
Para
este Módulo III é recomendável que a Equipe também
use o segundo passo que é o JULGAR. Como já foi dito anteriormente,
por julgar deve-se entender um processo pelo qual, diante de um panorama da
realidade detectado no estudo proposto pelo Módulo I (um “Ver”
bem realizado), as pessoas possam considerar como os efeitos das influências
da sociedade pesam sobre a estrutura familiar. Neste Módulo III, esses
efeitos devem ser julgados e iluminados a partir de critérios eminentemente
cristãos. Neste processo cada membro da Equipe Base deve procurar nos
textos das Sagradas Escrituras, nos documentos da Igreja, em artigos ou escritos
encontrados em revistas ou livros de conteúdo religioso, as referências
teóricas e práticas que possam permitir um julgamento de valor
para as crises e problemas desencadeados pelas influências externas,
que a Equipe já detectou nas reuniões anteriores. Além
disso, seria muito interessante que a Equipe complementasse as conclusões
da reunião de estudo do Módulo II (reunião anterior),
sobrepujando aquela análise com esta que ora vai realizar. Estabelecer
um julgamento de valor a partir de bases cristãs é, desta forma,
ir além do próprio sistema de valores comuns às sociedades
mais justas; é propor uma análise que se conforme à Lei
de Deus, ou seja, ao seu Reino de Amor.
Jesus veio ao mundo propor um modelo referencial de uma sociedade sem exclusões.
Assim, seguir Jesus é fazer o que Ele fez. O Documento de Puebla (1979)
afirma que seguir Jesus hoje é “prosseguir a luta por sua Causa,
prosseguir o seu Caminho, comportar-se como Ele, entrar em Comunhão
de destino com Ele e enfrentar conseqüências semelhantes às
que Ele enfrentou. A Causa de Jesus é o Reino de Deus e, por isso,
seguir Jesus é empenhar-se pelo Reino que é Vida, Verdade, Justiça,
Paz, Graça e Amor”. Os critérios do Reino assumidos por
Jesus para propor uma nova sociedade foram anunciados por Isaias (Is 61, 1-3)
e por Lucas (Lc 4, 16-21). Neles se ressaltam a justiça, a misericórdia
e o perdão, sem os quais não há liberdade. O que se propõe
é uma civilização do amor, com base no exemplo das comunidades
cristãs primitivas e da própria Trindade Santíssima.
TEXTO DE REFERÊNCIA
A
Família, no plano do Criador, é o santuário da vida.
Quando o homem e a mulher se doam mutuamente no matrimônio estão
entregando um ao outro o que possuem de mais valioso: a vida. Esta doação
perene é feita de modo livre e consciente. É um comprometimento
entre os dois, com a comunidade de famílias, com a Igreja e com a sociedade.
Esta doação nunca os aprisiona, pois o projeto de Deus jamais
aprisiona. O matrimônio é uma mútua doação
de vida. O relacionamento é algo vivo e como tal, deve ser tratado
e cultivado. Os casais que cultivam os seus laços de amor e os mantêm
vivos, estão cuidando de si, de suas famílias e, na sinergia
universal, estão cuidando de toda a criação, pois o amor
é o alicerce da família. Eles são co-autores da vida,
com Deus. Para aprofundar a reflexão do valor do lar e do casal e de
toda a família no plano de Deus, é bom lembrar que nosso Deus,
criador do céu e da terra e de tudo o que eles contêm, quando
veio ao mundo, escolheu nascer em uma família, justamente para evidenciar
a importância que Deus nela deposita. Deduz-se que Deus não abriu
mão de ter pai e mãe que O acolhessem e de viver em família.
É necessário lembrar que todos são chamados, acolhidos
e aceitos por Deus. Mas é preciso ter a sabedoria para lembrar que
nem todos os nossos estilos de vida e mais que isso, nossas opções
de vida, são queridos por Deus. Santo Agostinho dizia: “Deus
ama o pecador, mas não o pecado”. E se nosso projeto de família
se afasta daquilo que foi planejado por Deus, nós mesmos experimentamos
os resultados de seguirmos os nossos caminhos e, por conseguinte, sofremos
as conseqüências. É o seio da Família o lugar escolhido
por Deus para a concepção, gestação, nascimento
e educação de uma nova vida.
Neste último século a convivência familiar mudou muito.
A grande proximidade entre pais e filhos foi se perdendo por diversos motivos
como a industrialização; a mecanização da agricultura
e a ausência de políticas agrárias provocando o êxodo
rural; a lei do divórcio; a sobrecarga do papel da mulher dentro e
fora do lar; a desvalorização e desconsideração
da importância da maternidade; o consumismo e os baixos salários,
e consequentemente um maior tempo dedicado ao trabalho; e muitos outros fatores.
A influência da comunidade próxima diminuiu e cedeu espaço
para a influência da sociedade global veiculada principalmente pelos
meios de comunicação social (MCS) - tendo a televisão
como principal agente - que tiveram um enorme avanço tecnológico.
Por último, estamos experimentando um fator mais recente, mas profundamente
marcante da comunicação social e privada, que é a rede
mundial de computadores (internet).
O MFC tem como objetivo animar as famílias a assumir, cada vez mais,
o seu papel insubstituível na formação de pessoas, conforme
o Artigo 3o de seu RI: “O MFC tem por finalidade: desenvolver ações
visando à humanização, a evangelização,
a promoção de valores humanos e cristãos das pessoas,
das famílias, capacitando-as para que possam cumprir a sua missão
de formadora de pessoas, educadora na fé e promotora do bem comum”.
O artigo intitulado “Como ser família hoje?” publicado
na revista Fato e Razão no 57, à página 74, de autoria
de Hélio e Selma Amorim, propõe que se julgue: “Como se
dá a busca de uma fé adulta contra a sua redução
a expressões religiosas superficiais?” Respondem que “a
formação para a fé encontra os pais hoje despreparados.
Tradicionalmente a formação religiosa se limitava à matrícula
dos filhos na catequese paroquial para a primeira Eucaristia e depois a cobrança
da freqüência à missa dominical. Predominava assim o infantilismo
na fé, reduzida às práticas religiosas muitas vezes superficiais
e livres de compromissos. Numa sociedade marcadamente religiosa do passado,
essa prática parecia funcionar, porém, no mundo moderno secularizado,
a fé dos cristãos não pode permanecer nesse nível
infantil e tampouco as novas práticas religiosas de massa oferecem
solução para a construção de uma fé adulta.
A tendência é a indiferença religiosa ou a adesão
a uma religiosidade de tipo mágico que faz proliferar igrejas e seitas
não convergentes com a proposta exigente e comprometedora do Evangelho.”Num
outro artigo do mesmo número de Fato e Razão, intitulado ”Como
vai a família? ”Hélio e Selma explicam que para que a
família seja educadora na fé, transmissora de valores éticos,
humanos e cristãos é necessário que ela seja capaz de
‘transmitir a essência da fé dos cristãos, como
adesão ao projeto de Deus, desenvolver o amor ao próximo, viver
e transmitir os valores da honestidade, austeridade, respeito e serviço
ao outro e compromisso com a partilha” e que para que seja a família
promotora do bem comum ela tem que “comprometer-se com a transformação
da sociedade, indignar-se com toda forma de injustiça, preparar os
seus filhos para atuar nas estruturas sociais intermediárias, no empenho
para que se produzam sinais do Reino de Deus numa sociedade desigual”.
Hoje, provavelmente mais que em outras épocas, é imperativo
que as família sejam conscientizadas a reassumir suas funções
básicas dentro dessa nova dinâmica que a sociedade moderna lhes
impõe. É preciso que as famílias possam, de alguma forma,
acompanharem as rápidas e contínuas mudanças que acontecem
em todos os campos sociais e até mesmo nas novas propostas religiosas
que insistem em mostrar um deus muito diferente do Deus de Jesus e uma fé
igualmente distinta da fé de Jesus (o que constitui uma idolatria muitas
vezes imperceptível ao mais convicto cristão). Por outro lado
há, também, que se encontrar novos comportamentos e novas posturas
para o enfrentamento dos desafios que se apresentam; descobrir o que há
de verdade em novos valores que nos parecem antivalores e, numa atitude de
abertura crítica, superar os preconceitos às vezes não
percebidos.
SÍNTESE
Para finalizar o trabalho, a Equipe Base deve escrever uma síntese que contenha uma breve análise de como a doutrina cristã pode ajudar a compreender e a enfrentar as influências da sociedade global geram as crises familiares que hoje nos desafiam. Se for possível pode-se citar alguma referência Evangélica especialmente se proveniente de fontes seguras de ensinamentos, que fundamente a análise. O objetivo é este: entender como e em que extensão, uma determinada influência é capaz de provocar crise familiar e como a Boa Nova proposta por Jesus nos anima a enfrentá-la. É importante que este trabalho mantenha sintonia com os dois anteriores, pois eles devem ir se completando.
FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA
Escolha um texto Bíblico que tenha iluminado e norteado os trabalhos da Equipe.
Equipe
de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2007
MÓDULO IV
“MOTIVAÇÃO: NA
NUCLEAÇÃO, NA EXPANSÃO E FORTALECIMENTO DO MFC”
(Desafio eleito pelo CONDIR CENTRO - OESTE)
INTRODUÇÃO
Nos estudos anteriores a Equipe
Base pode refletir sobre a situação da família no mundo
de hoje sob os prismas do Ver e Julgar. Nessa perspectiva, ela pode detectar
os efeitos e reflexos que a família vem recebendo em função
da globalização e como isto a tem afetado nos diversos campos
(social, político, econômico, religioso, cultural, etc). Para
este Módulo IV a equipe, continuando a metodologia do Ver-julgar-agir-celebrar-avaliar,
deve ter como método de trabalho o processo do AGIR. O agir cristão
deve ser fundamentado na solidariedade, uma via de mão dupla, que é
critério-chave para se construir uma sociedade verdadeiramente humana.
A partir da fé, como foi estudado no Módulo III, é o
exemplo de Jesus que nos leva a agir com a finalidade de dignificar a pessoa
humana e, por conseguinte, a família. A evangelização
é sempre uma ação libertadora. O Papa Paulo VI, na Evangelii
Nuntiandi, afirma que “A igreja tem o dever de anunciar a libertação
de milhões de seres humanos; tem o dever de ajudar a nascer essa libertação,
de dar testemunho da mesma, de fazer que seja total”. O agir requer
engajamento pessoal e organização de forças coletivas
e se manifesta em quatro níveis: a) o da assistência, pois o
amor ao próximo faz descobrir que há necessidade de um socorro
imediato; b) o da promoção humana que mobiliza a dignidade da
pessoa e lhe permite sentir-se útil e responsável; c) o do engajamento
na defesa dos direitos humanos, hoje fácil e freqüentemente desrespeitados;
e d) o da mobilização em favor da transformação
social na busca incansável e organizada de mudanças nas relações
sociais em todos os seus campos (econômico, político, etc.) e
de resgate cultural e religioso, tendo como base os critérios evangélicos
de justiça, solidariedade e paz.
É verdade que a grande maioria das ações individuais
dos mefecistas (nas quais, por vezes, se mobilizam, também, a Equipe
Base ou mesmo todas as equipes da cidade) permanece oculta porquanto se trata
de um agir em primeiro nível: o da assistência. Essas ações,
porém, geralmente são apenas “portas de entrada”
para outras que efetivamente proporcionem um agir solidário e libertador.
O MFC seria muito pobre se o seu agir se resumisse apenas na assistência,
ou seja, na busca da satisfação de necessidades humanas primárias.
Acreditamos em nosso MFC e temos confiança no trabalho que é
realizado pelos mefecistas e, sobretudo, nos resultados positivos que podemos
observar a partir da ação que é realizada em cada cidade
e estado onde o mesmo atua. O MFC é uma organização familiar
de fundamentação cristã que, por meio de metodologia
própria, torna possível às famílias (sem exceção,
pois o Carisma do MFC, em sua essência é a acolhida), que lutam
por um mundo melhor e mais justo, atingir essa realidade. À primeira
vista essa possibilidade pode parecer utópica e a idéia que
logo vem à mente é “isto não para mim, é
algo muito distante”. Afirmamos com tranqüilidade que este pensamento
é falso. A maioria dos mefecistas conhece e até já viveu
situações, onde, pela sua participação no MFC
e pelo seu grau de comprometimento, os levou a tomar decisões que tiveram
como objetivo primeiro a busca de um mundo melhor e de uma sociedade mais
justa, contrapondo-se às ações e exigências de
um capitalismo liberal globalizado. Ao longo destes quase 52 anos de existência
no Brasil, o MFC já deu inúmeras provas de sua ação
evangelizadora e profética. (neste momento os integrantes da Equipe
Base poderiam compartilhar experiências vividas pelos seus membros,
em relação a fatos que possam ilustrar esta afirmação).
“... as muitas realizações e o serviço efetivo
às famílias, especialmente às mais carentes de bens e
afetos, alimentaram a alegria e entusiasmo de nossa gente, pela consciência
da missão cumprida”. (Caderno Especial – Revista Fato &
Razão no 41 – pág. 81). As ações coletivas,
que não tenham como único fim o da assistência, constituem-se
em perenes desafios para a família mefecista. Para sermos capazes de
superá-los necessário se faz uma ação conjunta.
É preciso que todos nós tenhamos o mesmo objetivo. Nesse sentido
algumas questões estarão permanentemente latentes em nossas
mentes e almas:
Em quê e como poderia o MFC ser melhor? Onde estamos falhando? Por que
somos tão poucos quando há tantas famílias precisando
de nós? Por que muitos chegam e logo se vão? O que procuravam
encontrar e não encontraram? Por que o MFC muitas vezes não
está onde deveria estar, se cala quando deveria falar, se omite quando
deveria agir com coragem? Por que uma certa acomodação e até
fuga ao compromisso cristão com o Reino?
“Talvez estejamos falhando, por algum ou vários motivos”.
(Caderno Especial – MFC Brasil – Revista Fato & Razão
N. 41 pág. 87).
TEXTO DE REFERÊNCIA
O texto a seguir, extraído
da revista Fato & Razão no 41, intitula-se “A caminhada do
Movimento Familiar Cristão”, e foi escrito por José e
Lya Sollero, fundadores e ex-Presidentes Nacionais do MFC. Trata-se de uma
resenha de como nasceu, cresceu e se tornou adulto o MFC no Brasil, destacando
suas conquistas, lutas, sofrimentos e decepções que viveu ao
longo de sua história. Seria muito oportuna a leitura completa do mesmo.
Este texto deve ser entendido como exemplo de como o MFC superou a motivação
na nucleação, na expansão e fortalecimento, em mais de
cinqüenta anos de história.
“Entre o que conseguimos não pode deixar de ser mencionado o
“Eis o MFC”, no qual nos definimos corajosamente como “movimento
de Igreja”, cujo objetivo é a evangelização e a
promoção da família, desenvolvendo seus valores humanos
e cristãos, a fim de capacitá-la para cumprir a sua missão
de formadora de pessoas, educadora na fé e promotora do bem comum”.
Notável é o Movimento apontar aos seus membros as “comunidades
familiares de base”, como ideal de vida cristã austera, engajada
no apostolado da Igreja a serviço de todos, especialmente dos mais
necessitados. É natural que posições claras e precisas,
em matérias controversas, nos trouxessem dificuldades, de modo mais
doloroso em Igrejas particulares mais tradicionais. A defesa do papel do leigo
na Igreja e no mundo; a sua função libertadora; a preocupação
constante e as denúncias contra o pecado social da miséria e
da fome, do desemprego e do abuso de poder econômico; o acolhimento
fraterno às “famílias incompletas”, e dos “ex-padres”;
as posições tidas como políticas e os protestos e desagravos
em defesa dos direitos humanos; a coragem de repetir, na face dos DOI-CODI’s
infernais a pergunta de João e Pedro: “é justo obedecermos
antes a vós do que a Deus?” (At 4,19); a proclamação
da exigência da promoção do desenvolvimento do homem todo
e de todos os homens, em plena fase do “desenvolvimentismo” puramente
econômico; a insistência em reclamar a necessidade de reformas
urgentes e profundas no Brasil, na linha da “Populorum Progressio”;
os erros de apresentação e inabilidades que muitas vezes praticamos;
as posições de fronteiras que assumimos, em especial contra
o imobilismo dos cristãos; os protestos e desagravos de que participamos,
tudo isso nos fez vítimas, muitas vezes, de marginalização,
de incompreensões, calúnias, perseguições, prisões
e condenações que nos atingiram, ao MFC e às nossas famílias.
Não importa que tenhamos recebido esses ultrajes por sermos fiéis
ao Evangelho. É o preço da caminhada no deserto. São
as marcas de sangue que nossos pés deixaram na marcha insone. Não
desanimamos, pois bem sabemos que “o Senhor conduziu o seu povo, deserto
a dentro, por que eterno é o seu amor. Somos e continuamos a ser esse
povo em marcha. Uma forma de ser Igreja. De sentir com a Igreja”.
SÍNTESE
“Deve prosseguir este esforço de “repensar o MFC”, com diagnósticos e proposições concretas e objetivas para uma profunda revisão e revitalização do Movimento. Conhecendo o que já se refletiu até agora, caberá às coordenações do MFC, em seus diferentes níveis, e aos coordenadores de grupos ou equipes-base, planejar e assumir, com novo entusiasmo e maior lucidez, com fé mais adulta e renovada esperança, com a ajuda de Deus, novas maneiras de ser, viver e agir, como pessoas, casais, famílias e movimento, na busca de respostas sempre mais humanizadoras para os problemas humanos identificados”. (Caderno Especial – MFC Brasil – Revista Fato & Razão N. 41 pág. 96).
FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA
Escolha um texto Bíblico que possa
traduzir as angústias e incertezas de uma maior revitalização
de nosso MFC.
Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006
MÓDULO V
“RESGATE DO CARISMA DO MFC:
PROFÉTICO E LIBERTADOR, NOS CAMPOS FAMILIAR, SOCIAL, RELIGIOSO E POLÍTICO”
(Desafio eleito pelo CONDIR LESTE)
INTRODUÇÃO
Para este Módulo V
a Equipe Base, continuando a metodologia do ver-julgar-agir-celebrar-avaliar,
deve ter como método de trabalho o processo de AVALIAR.
“Avaliar constitui-se um julgamento de valor sobre manifestações
relevantes da realidade com vistas a uma tomada de decisão” (Cipriano
Carlos Luckesi). A ação de avaliar complementa o processo ensinar
e aprender (com a vida) que é decorrente do mecanismo ação-reflexão-ação.
Por isso: estabelecer um julgamento de valor implica considerar se determinada
ação foi positiva (eficaz) ou negativa para as finalidades previstas;
sobre as manifestações relevantes da realidade, que nada mais
são que os aspectos da realidade que se relacionam com os objetivos
da própria ação; com vistas a uma tomada de decisão
indica que o processo de avaliar tem sempre a finalidade de se buscar reforçar
e dar continuidade às ações positivas ou rever e reformular
as ações negativas (não eficazes). Assim, a Equipe Base
deve estar preparada para avaliar as ações empreendidas pelo
MFC de sua cidade, de seu estado, de sua região e do Brasil que tenham
como objetivo proporcionar aos MeFeCistas, aos cristãos e a todas as
pessoas, possibilidades de crescimento na fé mas, também, possibilidades
de crescimento pessoal e comunitário (social). A equipe deve concentrar
a sua atenção, naquelas ações do MFC que estejam
orientadas para que as famílias possam superar as crises provocadas
pela sociedade globalizada, que age implacavelmente sobre ela. É oportuno
avaliar tais ações segundo os critérios propostos no
parágrafo anterior.
Extrai-se de documentos do MFC, o seguinte conceito de Carisma:
"CARISMA" É DOM CONCRETO, APTIDÃO
posta a serviço da COMUNIDADE. Ao mesmo tempo é
META e UTOPIA. O MFC expressa esse carisma especialmente:
"TRABALHANDO COM AS FAMÍLIAS NA CONSTRUÇÃO
DO REINO". O MFC desenvolve um leque de carismas, sem fronteiras
absolutas entre eles: profético, crítico e libertador, laico,
participativo, comunitário, hospitaleiro, ecumênico e inter-religioso.
• Profético: Dá ao profetismo um caráter conscientizador:
"Traduzir a mensagem de Cristo em linguagem viva contemporânea".
Sensível ao Espírito e à história, intui e percebe
o estado da comunidade e suas necessidades, em momento determinado.
• Crítico e libertador: Exorta e edifica (1Cor 14,3), anuncia
e denuncia. Provoca a mudança da consciência e estimula a mudança
de conduta e das estruturas sociais.
Vejamos como se pode relacioná-lo com a tarefa proposta para esse Módulo
V.
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO FAMILIAR: O Papa João
Paulo II afirmou: “o matrimônio e a família constituem
os bens mais preciosos da humanidade”. A família é como
um porto seguro onde as pessoas se sentem amparadas. Infelizmente a realidade
em que vivemos é diferente. Para que a família seja de fato
este bem precioso, é preciso que cada um exercite e revigore os valores
cristãos necessários (o diálogo, a escuta, a confiança,
a abertura, o perdão, a oração, o respeito à dignidade
da pessoa, a valorização da pessoa e outros), que concorrem
para o bem da família e, também, que se comprometa em defendê-los.
Hoje mais do que nunca, a instituição família necessita
de profetas e profetisas, capazes, dispostos e corajosos que se coloquem a
serviço do Reino, anunciando-o e denunciando todas as formas de injustiça
que excluem e segregam “os pobres, as viúvas e os órfãos”
de hoje. Temos a coragem para exercer este carisma profético e libertador?
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO SOCIAL: A dignidade
é um dom de Deus para cada pessoa.
Ele a deu a cada um e não
a toma de volta. O trabalho, autônomo ou não, informal ou formal,
justamente valorizado e remunerado, é uma das mais importantes formas
de respeito à dignidade humana. Por meio do trabalho, a pessoa se sente
valorizada, integrada à vida familiar, comunitária e social.
A carência de oportunidades e a desvalorização do trabalho
matam ou dificultam a esperança de muitos jovens em constituírem
suas famílias. Este fator, juntamente com a carência de testemunhos
positivos de matrimônio; a liberdade sexual excessiva e a pornografia
veiculada livre e abertamente pelos MCS e a agressão dirigida contra
a vida, à família e às instituições, geram
uniões provisórias, filhos não planejados, gravidez precoce,
paternidade omissa, educação decadente, marginalidade e violência;
geram uma incontável gama de desordem pessoal, familiar, social e econômica.
Precisamos de políticas públicas que valorizem o trabalho humano,
pois nelas se encontram os requisitos para diminuir a criminalidade, a violência
e a miséria. A implantação destas políticas só
pode ser feitas com a eleição de políticos que tenham
princípios e práticas morais comprometidas com o respeito à
dignidade da pessoa. Temos a coragem para exercer este carisma profético
e libertador?
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO RELIGIOSO: Vivemos
num mundo de grandes e rápidas transformações. Porém,
Jesus Cristo, permanece o mesmo. E devemos anunciá-Lo e ao seu Reino
com muito ardor e convicção. Assumir a missão de evangelizar
é assumir a essência do ser cristão, pois ou a Igreja
é missionária ou não é Igreja. Percebe-se hoje
na sociedade e nas famílias, que campeia a desorientação,
a falta de rumo, insegurança, medo. Parece que no mundo de hoje ocorre
uma grande carência de profetas que possam nos libertar das amarras
mundanas e anunciar com vigor o Reino de Deus proposto por Jesus. Precisamos
de profetas dispostos a “pegar no arado, e não olhar para trás”,
que possam realizar uma profunda e vigorosa evangelização, que
tenha em vista a superação do individualismo, o fortalecimento
da família e da vida comunitária. O apelo para que o MFC seja
de fato profético e libertador no campo religioso não pode se
restringir à pregação doutrinária. Há que
se encarar o papel da Igreja enquanto instituição e do Clero.
Como a Igreja se prepara para os desafios que o atual século lhe apresenta?
Como a Igreja encara os movimentos que possuem identidade própria,
sem características de pastorais orgânicas e que desenvolvem
seu trabalho, independente da ingerência da sua hierarquia? Por que
a simpatia para com a RCC (Renovação Carismática Católica)
e outros movimentos similares? Temos a coragem para exercer este carisma profético
e libertador?
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO POLÍTICO: A
incumbência de formar bons cidadãos é uma das funções
essênciais da família. Para tanto se faz necessário que
ela seja estruturada e equilibrada. Neste papel a família é
insubstituível. Nestes tempos, porém, a família sofre
toda sorte de agressões estando enfraquecida e desestruturada. Luta
apenas para existir e sobreviver às pressões da sociedade e
não cumpre bem este seu papel. O cristão, cidadão do
Reino e do país onde vive, tem, mais que todos, o dever de exigir que
os seus direitos e os de seus irmãos, sejam respeitados, principalmente
o respeito à dignidade. Nas eleições não vende
seu voto; age com sabedoria ao escolher seus representantes e ainda cobra
dos eleitos sua responsabilidade para com a justiça e a inclusão
social daqueles marginalizados pela sociedade. Muitas vezes, se propõe
ele mesmo ser candidato, com a preocupação de vivenciar e levar
ao meio político os valores morais e éticos do cristão.
O cristão tem autoridade para denunciar as injustiças e fazer
valer a verdadeira política voltada para a conquista do bem comum.
Temos a coragem para exercer este carisma profético e libertador?
SÍNTESE
Para viver o Reino de Deus
aqui e agora o MFC se descobre portador de Carismas como o de ser profético,
crítico e libertador. O alvo da avaliação da Equipe Base
deve ser: de que forma e como efetivamente esses carismas têm sido vividos
pelo MFC por meio das famílias e pessoas que o integram? As ações
do MFC em qualquer nível (nacional, regional, estadual, municipal e
equipe base) indicam de fato que tais carismas são postos a serviço
do Reino? O que se deve mudar para que o MFC seja uma resposta verdadeira
às expectativas e necessidades das famílias de nossas cidades
e um instrumento eficaz para a construção de um mundo mais justo
e solidário? Em suma:
- Podemos dizer que o MFC tem sido Profético?
- Suas ações são de fato Libertadoras?
FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA
Escolha um texto Bíblico que possa traduzir as angústias e incertezas de uma maior revitalização de nosso MFC.
Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006
XVI ENA
ESTUDO DO PRÉ-ENA
MOVIMENTO
FAMILIAR CRISTÃO SECRETARIA NACIONAL DE FORMAÇÃO – SENFOR EQUIPE DE METODOLOGIA E CONTEÚDO – XVI ENA |