MÓDULOS DE ESTUDOS PARA O XVI ENA

APRESENTAÇÃO

O MFC de todo o Brasil já está vivendo o XVI ENA. Nesse restante da caminhada que nos separa do Encontro, de pouco menos de 1 (um) ano até o dia 15 de julho de 2007 (data marcada para o início deste Encontro Nacional) a Equipe de Metodologia e Conteúdo dispara a segunda etapa de preparação para o maior evento que o MFC do Brasil realiza a cada três anos. A primeira etapa que consistiu de uma grande consulta sobre os principais desafios que o MFC que cada região (CONDIR) enfrenta, já foi concluída e, para tanto, contou com a magnífica colaboração das Equipes Base presentes em todas as cidades onde o MFC atua. As fichas que as Equipes Base preencheram e enviaram para as Equipes de Coordenação das cidades, constituíram a base de dados que permitiram que a Equipe de Metodologia e Conteúdo, reunida na cidade de Vila Velha, ES, nos dias 16 e 17 de setembro, desvelasse os cinco (cinco) grandes desafios que as regiões elegeram para serem debatidos e estudados. Colocados em ordem lógica, segundo alguns critérios pré-estabelecidos, mas principalmente com relação àqueles que se referem à Metodologia Participativa, os desafios ficaram assim definidos e organizados:
1o: “Crise Familiar” - CONDIR Sul – para o dia 16 julho de 2007, segunda feira;
2o: “Conscientização da responsabilidade Familiar e Social” – CONDIR Norte – para o dia 17 de julho de 2007, terça feira;
3o: “Evangelização e Conscientização na Família” – CONDIR Nordeste – para o dia 18 de julho de 2007, quarta feira;
4o: “Motivação: na nucleação, na expansão e fortalecimento do MFC” CONDIR Centro Oeste – para o dia 19 de julho de 2007, quinta feira;
5o: “Resgate do carisma do MFC - Profético e Libertador” CONDIR Leste – para o dia 20 de julho de 2007, sexta feira.
Para cada um desses grandes desafios, a Equipe de Metodologia e Conteúdo (Eq. de M&C) elaborou um respectivo Módulo de Estudo que estão sendo enviados às Equipes Base, um a cada mês, sendo o MÓDULO I neste mês de novembro de 2006, e os demais nos meses subseqüentes. Os integrantes da Eq. de M&C solicitam às Equipes Base que destinem pelo menos uma reunião da equipe para o estudo e reflexão de cada um dos módulos. Depois de concluído o estudo de cada módulo, a síntese dos trabalhos deverá ser encaminhada à ECCi (Equipe de Coordenação da Cidade). A ECCi reunirá todas as sínteses dos 5 (cinco) Módulos que cada Equipe Base produziu e enviará diretamente aos Coordenadores do CONDIR de sua região (o encaminhamento pode passar pela Equipe de Coordenação Estadual – ECE, se assim for mais conveniente para cada realidade local). Todo esse material deverá chegar à Coordenação de cada CONDIR até a data limite de 30 de abril de 2007.
Os Módulos de Estudo foram propostos com a finalidade de se atingir os seguintes objetivos:
• Permitir que a imensa maioria dos Mefecistas que não poderão estar presente no XVI ENA na cidade de Araraquara, SP, possam dele participar diretamente, refletindo sobre os grandes desafios que o MFC atualmente enfrenta, analisando suas origens e causas, considerando como estas causas influem sobre a vida dos Mefecistas e do MFC, apontando pistas de como superá-los e indicando as perspectivas de ações pessoais e do MFC como um todo, na hipótese de suas superações. É evidente que tais reflexões acabam sendo bastante particulares, pois que são geradas no âmbito restrito da Equipe Base. Porém, reunidas e convenientemente analisadas em conjunto, proporcionam um estudo de uma realidade mais ampla, ainda que regionalizada, dos desafios atuais enfrentados pelo nosso MFC.
• O resultado final desses Módulos de Estudo realizados pelas Equipes Base (portanto, gestados por pessoas com formações culturais muito próximas), terão imenso valor referencial para os mesmos estudos e reflexões que serão desenvolvidos pelas Comunidades de Trabalho (constituídas por Mefecistas de todas as regiões do Brasil e, portanto, pessoas portadoras de grande diversidade cultural) durante a realização do XVI ENA. Pode-se dizer que, num certo sentido, os resultados finais desses Módulos de Estudo poderão conferir certa validade aos estudos e reflexões que serão produzidas ao longo do XVI ENA. Ambos, portanto, se complementam e, por isso, são igualmente importantes.
• As reflexões e estudos acerca dos desafios enfrentados pelo MFC na atualidade (que não são tão novos assim, mas que hoje se apresentam como tais) constituem, em si mesmos, excelentes oportunidades para formação e crescimento da Equipe Base e dos Mefecistas que a integram. A proposta para o ENA e também para este pré ENA, é tratá-los com uma forma nova de ver e analisar os problemas que atingem nossa família a partir de nossa sociedade, à luz do texto do Evangelho encontrado em Ef. 4, 17-24, que fala de “um homem novo”. Assim, contextualizando o evangelho aos desafios propostos, fazem-se necessário tratar velhos assuntos nossos conhecidos, com uma forma nova de enxergar o mundo, nos adaptando às realidades atuais da sociedade na qual nos inserimos. Quando exercitamos nossa capacidade de refletir sobre tudo o que está afetando os nossos relacionamentos intra e inter familiar, independentemente de ser ou não um estudo pré ENA, estamos pondo em prática a metodologia do MFC; estamos nos proporcionado oportunidades de revisão de vida e aprofundamento da fé. Chegamos numa encruzilhada da vida e isso exige tomada de decisão. Podemos rever a caminhada e podemos escolher novos rumos.
Por tudo isso, os integrantes da Eq. de M&C, mais uma vez, solicita o empenho e a disposição fraterna de cada Mefecista em particular e de cada Equipe Base em realizar mais essa tarefa. O estudo desses Módulos não pode deixar de ser realizado.
Com a Graça de Deus-Pai e sob a inspiração do Divino Espírito, os integrantes da Equipe de Metodologia e Conteúdo conclamam a todos os Mefecistas do Brasil a atender a mais esta solicitação.
Desde já nosso muito obrigado.

Equipe de Metodologia e Conteúdo

SENFOR//2006


MÓDULO I

“CRISE FAMILIAR”

(Desafio eleito pelo CONDIR SUL)

INTRODUÇÃO.

A Metodologia Participativa é essencialmente um procedimento democrático de valorização das idéias e práticas de um grupo; é um processo de criação coletiva fundamentado num saber pré-existente. Nesta metodologia participar é ter o poder de decisão, e negá-lo ou recusá-lo é transferir este poder aos outros. A Metodologia Participativa é, portanto, não diretiva, isto é, ninguém é o “dono da verdade”. Uma das maneiras de se aplicar, na prática, tal metodologia, é servir-se de um procedimento já muito difundido, conhecido por ver – julgar – agir – celebrar – avaliar (estes dois últimos foram acrescentados na prática das CEBs).
Para cada um dos Módulos de Estudo de pré-ENA, que se inicia com este, recomenda-se que a Equipe Base utilize um dos passos desse processo. Assim, para o Módulo I (“Crise Familiar”), é recomendável que a Equipe use o primeiro passo que é o VER.
Por “ver” entende-se que cada Mefecista integrante da Equipe Base, lance seu olhar sobre a sociedade, desde os segmentos sociais mais próximos até os mais distantes; busque detectar as possíveis influências que os mais diversos campos da sociedade (social, político, econômico, familiar, religioso, esportivo, cultural, segurança pública, etc) exercem sobre a família, e que podem provocar a chamada “Crise Familiar”. Num mundo cada vez mais globalizado, um determinado evento (de grande ou mesmo de pequena repercussão local) ocorrido num lugar qualquer do planeta, pode afetar muito as vidas das pessoas de um outro lugar (num espaço de tempo incrivelmente curto). Ter consciência disto pode proporcionar atitudes libertadoras (não alienantes) para os problemas também globalizados que afetam a sociedade e a família de hoje.
Entretanto, o grande paradoxo é que não é possível encontrar-se soluções únicas para esses problemas (soluções globalizantes) dado que as realidades locais se apresentam muito diferentes umas das outras. Portanto, em primeiro lugar, é necessário que se aprenda a descobrir quais são as influências que estão a produzir ou induzir o surgimento das crises que se abatem sobre as pessoas ou famílias, analisá-las sob a ótica local para, posteriormente, tentar soluções adequadas e específicas para cada família, comunidade ou parcela social afetada. Isto significa que as crises familiares quase sempre têm origem na sociedade e nas suas influências. É preciso pensar globalmente e agir localmente.
Um bom exemplo de como essas influências da sociedade globalizada produzem crises na família, está no sistema de valores que a atual geração construiu (e ainda constrói) e adota como normas de conduta socialmente aceitas. É fácil reconhecer e se constatar que esse sistema de valores é diferente daquele que os pais (geração anterior) admitem como correto e ético. A construção desses atuais sistemas de valores foi e está sendo fortemente influenciada pelos veículos de comunicação social (rádios, revistas, TVs, internet, etc) e também pela facilidade e rapidez proporcionada pelos mesmos na interação entre os grupos sociais dessa faixa etária. As diferenças entre as listas dos valores, encontrados nos sistemas de valores de pais e de filhos, podem gerar confrontos de difícil solução e conflitos freqüentes no ceio da família. O fato é que esta diferença é a grande motivadora das inúmeras crises no relacionamento pais e filhos.

TEXTO DE REFERÊNCIA.

O texto a seguir foi extraído do folheto Informativo denominado “Terceira Hora”, publicado pelo CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil) n0 04, intitulado “Análise de Conjuntura – Agosto 2006”. Ele deve ser entendido como um exemplo de como a Equipe Base pode e deve explorar outras influências oriundas dos diversos campos da sociedade.

“Da insegurança pública a uma tragédia social”
“No caso de São Paulo, a origem da principal facção criminosa – o PCC – pode ser remontada ao massacre do Carandiru, quando uma rebelião foi esmagada com o assassinato de 111 presos acuados e indefesos. A impunidade dos assassinos e a tácita aceitação pública deram àquela organização criminosa a oportunidade de tornar-se um instrumento de autodefesa da população carcerária. Defesa e opressão, porque submetem os presos ao seu controle mediante ameaças à sua vida e a de seus familiares. Essas organizações são capazes de usar qualquer meio para fazer valer sua vontade: assassinatos, queima de ônibus, bombas, paralisação da cidade, seqüestro de jornalista... Por sua vez, as forças policiais dão mostra de só saberem reagir pelo uso de maior violência: vingam seus mortos executando grande número de suspeitos. Essa realidade deixa perplexa a sociedade e interpela nossas instituições. A superlotação é a principal causa da rotineira revolta dos presos. Não há como controlar o sistema prisional sem espaço suficiente para os presos. O costumeiro desrespeito à Lei de Execução Penal favorece a promiscuidade entre os presos e agentes do sistema carcerário e a sua corrupção. Neste quadro, quando uma rebelião ultrapassa os limites do presídio só resta ao Estado a alternativa de negociar com as organizações criminosas. E a complacência do Estado com os bandidos é o principal ingrediente do crime organizado que se aloja em suas entranhas. Incapaz de desarmar a população e garantir a segurança pública, o Estado perde o monopólio da força. Aqui, como em Tel-Aviv e em Washington, predomina a lógica militarista segundo a qual a força vencerá o crime. Assim, espaços fora do controle policial, como os morros e aglomerados de periferia, são encarados como território inimigo.”
“Os movimentos Sociais”
“Desde 2005 os movimentos sociais apresentam um reascenso na articulação e força política, além de maior clareza de posicionamento em relação ao atual governo. Percebe-se uma lenta, mas progressiva superação do refluxo provocado, no início dos anos 90, pela política neoliberal, pelo desemprego, pela mudança da natureza do estado e pela repressão social. Os movimentos sociais mantêm a unidade em torno de objetivos históricos, como a reforma agrária, a oposição à política neoliberal, a luta pela auditoria da dívida pública e a universalização da educação. Permanecem também seus desafios: construir maior solidariedade entre os movimentos; conquistar apoio da sociedade para as lutas; articular-se com as redes internacionais; elevar o nível de formação e de consciência política de seus militantes; garantir a contribuição das religiões, cuja espiritualidade e ética são indispensáveis para a reconstrução social. Neste cenário, as Assembléias Populares têm revelado sua força articuladora em torno da construção de um Projeto Popular alternativo que ajude a construir o “Brasil que Queremos’. Uma metodologia de consulta ao povo, que aposta na participação popular real e efetiva, buscando novos canais e caminhos de controle social e inventando novas formas de democracia direta e participativa conjuntamente com a democracia representativa. O Grito dos Excluídos, em sua 12aedição, vem apresentando crescimento como espaço articulador e de manifestação massiva.”

SÍNTESE

Para finalizar o trabalho, a Equipe Base deve escrever uma síntese que contenha todas as influências da sociedade (de todos os campos) que a Equipe considerou como importantes na geração das crises familiares que hoje enfrentamos, não apenas no seio de uma família, mas também nos relacionamentos entre as famílias e no próprio MFC. A ordem dessa lista de influências poderia ser da mais importante para a menos importante no entender da equipe.
Observação importante: o trabalho consiste “apenas” nisto: discutir quais são as influências que geram crises na família e ordená-las. O objetivo desse trabalho é tomar consciência que elas existem e influem em nossas vidas mais do que rotineiramente percebemos.

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA

Escolha um texto Bíblico que tenha iluminado e norteado os trabalhos da Equipe.

Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006


 

MÓDULO II

“CONSCIENTIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA FAMÍLIA”

(Desafio eleito pelo CONDIR NORTE)

INTRODUÇÃO

Para este Módulo II (“Conscientização da responsabilidade familiar e social”), é recomendável que a Equipe use o segundo passo que é o JULGAR.
Por julgar deve-se entender um processo pelo qual, diante de uma bem exposta conjuntura (um “ver” bem realizado), as pessoas possam considerar como os efeitos das influências da sociedade pesam sobre a estrutura familiar. Nele, esses efeitos podem ser julgados e iluminados a partir das referências teóricas e práticas nas quais se baseiam o sistema de valores que cada membro da Equipe Base adota como justos e orientador das suas práticas de vida. Trata-se de um processo em que os integrantes da equipe procuram entender (compreender) de que forma os ataques provenientes dos mais diversos campos da sociedade atingem a família e são capazes de desencadear uma crise ou uma situação desagregadora. Muitas vezes, diante da sutileza como as influências atingem as famílias, essa análise pode se tornar bem difícil. Porém, é um exercício importante e necessário, pois por meio dele os problemas gerados a partir dessas influências vão sendo aos poucos bem delineados. Principalmente se realizado com a efetiva participação de todos.
Nesta oportunidade, a Equipe Base deve se restringir a um julgamento que possua bases puramente humanas deixando para o módulo seguinte um julgamento com base nos critérios cristãos. Assim, a equipe deve condicionar sua análise a partir dos princípios de justiça, de ética e de moral que constituem a base de qualquer sociedade ou nação. Mais uma vez: procurem deixar para o Módulo III a análise que leve em conta os princípios cristãos presentes nos Evangelhos.

TEXTO DE REFERÊNCIA

“A família, no plano do Criador, é o santuário da vida familiar e, por isso mesmo, é uma grande riqueza querida por Deus. Entretanto, no plano estritamente humano a família não está livre dos ataques e, por vezes, até mesmo do desprezo que a própria sociedade humana lhe desfere. As conseqüências da desestruturação familiar pesam sobre cada pessoa e sobre as famílias e até à própria sociedade. Isto todos nós podemos observar e sentir na própria pele. Como integrantes do MFC temos o dever em manifestar, tornar clara a conscientização da responsabilidade da Família em reverter toda situação negativa e opressora em que se encontra. O processo pode e deve ser revertido de dentro para fora. De dentro das famílias, para fora, isto é para a sociedade. Infelizmente nem todos têm esta consciência e por isto, muitos se omitem em se colocarem a favor das famílias. Não fazê-lo é atitude pouco sábia, anti-econômica e anti-ética. Os custos para a sociedade e para o Estado, que decorrem do fracasso da família na formação, transmissão de valores e de caráter de seus filhos, são enormes. Os prejuízos humanos são maiores ainda.
É chegada hora de a família assumir, com mais cuidado, o seu papel insubstituível de formadora de pessoas com elevado senso de justiça, defensoras da ética e da moral. Pessoas que possuam consciência da verdadeira política e, por conseguinte, sejam bons e exemplares cidadãos. É na família estruturada e vivendo dignamente que se pode exercitar, desde a aurora da vida, o respeito a toda e qualquer pessoa, a valorização incondicional da vida e da dignidade da pessoa humana, a solidariedade, a tolerância, o amor gratuito e tantos valores necessários a um saudável convívio social. É na família que se educa para os limites e para o trabalho. E se isto não é feito pela família, no tempo adequado, dificilmente será feito depois ou recuperado com eficiência em outros ambientes e por outros organismos.
É necessário olhar criticamente para a educação e para a formação de nosso povo. Assim é possível entender o que está acontecendo, onde falham as nossas famílias e aperfeiçoar a riqueza dos valores humanos como a amizade, o falar sempre a verdade, o governar com ética e honestidade, agir com lealdade, respeito, alegria, ternura, bondade, e evidenciar em todas as nossas ações a justiça, e tantas outras virtudes que aperfeiçoam o caráter e a pessoa humana. Numa visão crítica vamos notar que temos uma enorme oportunidade de aperfeiçoamento em nossa educação em geral e principalmente na parcela de responsabilidade que tem a família. Por esta reflexão é imediato constatar que vivemos a insegurança diante das violências, relacionamentos instáveis, degradação do meio ambiente, injustiça na partilha de riquezas, conflitos nas famílias e nas comunidades, conflitos entre os povos, dificuldades de gerenciar nossos sentimentos, dificuldade de constituir e viver em família”.
O artigo intitulado “Como ser família hoje?” publicado na revista Fato e Razão no 57, à página 74, de autoria de Hélio e Selma Amorim, proporciona um julgar interessante a respeito de algumas das principais influências que pressionam as famílias no mundo de hoje:
1 – A comunicação interpessoal na família contra a pressão dos MCS e a internet.
A TV inaugurou um novo tipo de isolamento entre as pessoas da família; mesmo que seja um único aparelho em casa, as pessoas permanecem juntas e distantes, como que hipnotizadas pelas tramas das novelas ou filmes, não mais conversam; no máximo discutem para disputar o programa de sua preferência contra as dos demais; pior se começar a surgir mais aparelhos: nos quartos, na cozinha... E a internet veio agravar o problema: são horas de isolamento individual roubadas ao diálogo familiar.
2 - A revalorização da ética contra a banalização da esperteza.
Nunca se viu tamanha onda de assaltos ao dinheiro público associado a uma impunidade indecente, passando a idéia de que o crime compensa; revelam-se redes inacreditáveis de cumplicidades de togas e colarinhos brancos; os roubos só se medem agora em milhões de dólares, e só são presos os que roubam pouco e não podem pagar advogados para uma liberdade tranqüila, com base em liminares e outras medidas judiciais bastante caras.
3 - A austeridade contra o consumismo insustentável.
A pressão sobre as famílias para consumir sempre mais, com o apoio de uma propaganda intensa, atinge a economia da família, induz a estender-se a jornada de trabalho para aumentar a renda familiar, contribui para o esgotamento de nossas riquezas minerais e a devastação de nossas florestas; o desperdício é monumental e o consumismo é antiecológico. A crise de energia no Brasil e nos Estados Unidos, o efeito estufa e o aquecimento do planeta, dentre outros estragos da natureza têm sua raiz no consumismo obsessivo, uma das características do modelo econômico vigente; a austeridade é a contraposição ao consumismo; exige uma atenção especial de toda a família, para descobrirem, juntos, a dimensão libertadora da austeridade.
4 - A educação para a cooperação contra a tendência à competição desvairada.
Também é própria do modelo econômico neoliberal, agora globalizado, a competição regida pelas leis de mercado; a solidariedade e cooperação estão excluídas das relações sociais; a busca de competitividade tornou-se uma obsessão; compete-se não só no comércio, mas na profissão, no trabalho, em quase todas as relações sociais externas à família; esse espírito de competição acaba sendo levado para dentro de casa e degrada as relações familiares de cooperação e gratuidade; cria também um endurecimento nas próprias relações sociais, alimentando o individualismo.
5 - O exercício da cidadania contra a alienação sócio-política.
Há uma evidente conspiração para manter o povo politicamente alienado; as famílias são envolvidas por noticiários diários manipulados por interesses comerciais e políticos que impedem o acesso à verdade dos fatos; povo conscientizado reduziria o espaço de manobra dos que se servem da política em benefício pessoal e muitas vezes aos assaltos aos cofres públicos; pais alienados não estimulam os filhos a assumir a sua cidadania e uma presença transformadora na sociedade; criam-se personalidades individualistas e alimenta-se o mito de que “a política é coisa suja”, ou perigosa. “Não se meta nisso, meu filho”.

SÍNTESE

Para finalizar o trabalho, a Equipe Base deve escrever uma síntese que contenha uma breve análise de como e porque as influências da sociedade (de todos os campos) geram as crises familiares que hoje enfrentamos. Se for possível pode-se citar alguma referência bibliográfica (um livro, um autor, uma lei, etc.) que fundamente a análise. O objetivo é este: entender como e em que extensão, uma determinada influência é capaz de provocar crise familiar.

FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA

Escolha um texto Bíblico que tenha iluminado e norteado os trabalhos da Equipe.

Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006


 

MÓDULO III

“EVANGELIZAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO NA FAMÍLIA”
(Desafio eleito pelo CONDIR NORDESTE)

INTRODUÇÃO

Para este Módulo III é recomendável que a Equipe também use o segundo passo que é o JULGAR. Como já foi dito anteriormente, por julgar deve-se entender um processo pelo qual, diante de um panorama da realidade detectado no estudo proposto pelo Módulo I (um “Ver” bem realizado), as pessoas possam considerar como os efeitos das influências da sociedade pesam sobre a estrutura familiar. Neste Módulo III, esses efeitos devem ser julgados e iluminados a partir de critérios eminentemente cristãos. Neste processo cada membro da Equipe Base deve procurar nos textos das Sagradas Escrituras, nos documentos da Igreja, em artigos ou escritos encontrados em revistas ou livros de conteúdo religioso, as referências teóricas e práticas que possam permitir um julgamento de valor para as crises e problemas desencadeados pelas influências externas, que a Equipe já detectou nas reuniões anteriores. Além disso, seria muito interessante que a Equipe complementasse as conclusões da reunião de estudo do Módulo II (reunião anterior), sobrepujando aquela análise com esta que ora vai realizar. Estabelecer um julgamento de valor a partir de bases cristãs é, desta forma, ir além do próprio sistema de valores comuns às sociedades mais justas; é propor uma análise que se conforme à Lei de Deus, ou seja, ao seu Reino de Amor.
Jesus veio ao mundo propor um modelo referencial de uma sociedade sem exclusões. Assim, seguir Jesus é fazer o que Ele fez. O Documento de Puebla (1979) afirma que seguir Jesus hoje é “prosseguir a luta por sua Causa, prosseguir o seu Caminho, comportar-se como Ele, entrar em Comunhão de destino com Ele e enfrentar conseqüências semelhantes às que Ele enfrentou. A Causa de Jesus é o Reino de Deus e, por isso, seguir Jesus é empenhar-se pelo Reino que é Vida, Verdade, Justiça, Paz, Graça e Amor”. Os critérios do Reino assumidos por Jesus para propor uma nova sociedade foram anunciados por Isaias (Is 61, 1-3) e por Lucas (Lc 4, 16-21). Neles se ressaltam a justiça, a misericórdia e o perdão, sem os quais não há liberdade. O que se propõe é uma civilização do amor, com base no exemplo das comunidades cristãs primitivas e da própria Trindade Santíssima.

TEXTO DE REFERÊNCIA

A Família, no plano do Criador, é o santuário da vida. Quando o homem e a mulher se doam mutuamente no matrimônio estão entregando um ao outro o que possuem de mais valioso: a vida. Esta doação perene é feita de modo livre e consciente. É um comprometimento entre os dois, com a comunidade de famílias, com a Igreja e com a sociedade. Esta doação nunca os aprisiona, pois o projeto de Deus jamais aprisiona. O matrimônio é uma mútua doação de vida. O relacionamento é algo vivo e como tal, deve ser tratado e cultivado. Os casais que cultivam os seus laços de amor e os mantêm vivos, estão cuidando de si, de suas famílias e, na sinergia universal, estão cuidando de toda a criação, pois o amor é o alicerce da família. Eles são co-autores da vida, com Deus. Para aprofundar a reflexão do valor do lar e do casal e de toda a família no plano de Deus, é bom lembrar que nosso Deus, criador do céu e da terra e de tudo o que eles contêm, quando veio ao mundo, escolheu nascer em uma família, justamente para evidenciar a importância que Deus nela deposita. Deduz-se que Deus não abriu mão de ter pai e mãe que O acolhessem e de viver em família. É necessário lembrar que todos são chamados, acolhidos e aceitos por Deus. Mas é preciso ter a sabedoria para lembrar que nem todos os nossos estilos de vida e mais que isso, nossas opções de vida, são queridos por Deus. Santo Agostinho dizia: “Deus ama o pecador, mas não o pecado”. E se nosso projeto de família se afasta daquilo que foi planejado por Deus, nós mesmos experimentamos os resultados de seguirmos os nossos caminhos e, por conseguinte, sofremos as conseqüências. É o seio da Família o lugar escolhido por Deus para a concepção, gestação, nascimento e educação de uma nova vida.
Neste último século a convivência familiar mudou muito. A grande proximidade entre pais e filhos foi se perdendo por diversos motivos como a industrialização; a mecanização da agricultura e a ausência de políticas agrárias provocando o êxodo rural; a lei do divórcio; a sobrecarga do papel da mulher dentro e fora do lar; a desvalorização e desconsideração da importância da maternidade; o consumismo e os baixos salários, e consequentemente um maior tempo dedicado ao trabalho; e muitos outros fatores. A influência da comunidade próxima diminuiu e cedeu espaço para a influência da sociedade global veiculada principalmente pelos meios de comunicação social (MCS) - tendo a televisão como principal agente - que tiveram um enorme avanço tecnológico. Por último, estamos experimentando um fator mais recente, mas profundamente marcante da comunicação social e privada, que é a rede mundial de computadores (internet).
O MFC tem como objetivo animar as famílias a assumir, cada vez mais, o seu papel insubstituível na formação de pessoas, conforme o Artigo 3o de seu RI: “O MFC tem por finalidade: desenvolver ações visando à humanização, a evangelização, a promoção de valores humanos e cristãos das pessoas, das famílias, capacitando-as para que possam cumprir a sua missão de formadora de pessoas, educadora na fé e promotora do bem comum”.
O artigo intitulado “Como ser família hoje?” publicado na revista Fato e Razão no 57, à página 74, de autoria de Hélio e Selma Amorim, propõe que se julgue: “Como se dá a busca de uma fé adulta contra a sua redução a expressões religiosas superficiais?” Respondem que “a formação para a fé encontra os pais hoje despreparados. Tradicionalmente a formação religiosa se limitava à matrícula dos filhos na catequese paroquial para a primeira Eucaristia e depois a cobrança da freqüência à missa dominical. Predominava assim o infantilismo na fé, reduzida às práticas religiosas muitas vezes superficiais e livres de compromissos. Numa sociedade marcadamente religiosa do passado, essa prática parecia funcionar, porém, no mundo moderno secularizado, a fé dos cristãos não pode permanecer nesse nível infantil e tampouco as novas práticas religiosas de massa oferecem solução para a construção de uma fé adulta. A tendência é a indiferença religiosa ou a adesão a uma religiosidade de tipo mágico que faz proliferar igrejas e seitas não convergentes com a proposta exigente e comprometedora do Evangelho.”Num outro artigo do mesmo número de Fato e Razão, intitulado ”Como vai a família? ”Hélio e Selma explicam que para que a família seja educadora na fé, transmissora de valores éticos, humanos e cristãos é necessário que ela seja capaz de ‘transmitir a essência da fé dos cristãos, como adesão ao projeto de Deus, desenvolver o amor ao próximo, viver e transmitir os valores da honestidade, austeridade, respeito e serviço ao outro e compromisso com a partilha” e que para que seja a família promotora do bem comum ela tem que “comprometer-se com a transformação da sociedade, indignar-se com toda forma de injustiça, preparar os seus filhos para atuar nas estruturas sociais intermediárias, no empenho para que se produzam sinais do Reino de Deus numa sociedade desigual”.
Hoje, provavelmente mais que em outras épocas, é imperativo que as família sejam conscientizadas a reassumir suas funções básicas dentro dessa nova dinâmica que a sociedade moderna lhes impõe. É preciso que as famílias possam, de alguma forma, acompanharem as rápidas e contínuas mudanças que acontecem em todos os campos sociais e até mesmo nas novas propostas religiosas que insistem em mostrar um deus muito diferente do Deus de Jesus e uma fé igualmente distinta da fé de Jesus (o que constitui uma idolatria muitas vezes imperceptível ao mais convicto cristão). Por outro lado há, também, que se encontrar novos comportamentos e novas posturas para o enfrentamento dos desafios que se apresentam; descobrir o que há de verdade em novos valores que nos parecem antivalores e, numa atitude de abertura crítica, superar os preconceitos às vezes não percebidos.

SÍNTESE

Para finalizar o trabalho, a Equipe Base deve escrever uma síntese que contenha uma breve análise de como a doutrina cristã pode ajudar a compreender e a enfrentar as influências da sociedade global geram as crises familiares que hoje nos desafiam. Se for possível pode-se citar alguma referência Evangélica especialmente se proveniente de fontes seguras de ensinamentos, que fundamente a análise. O objetivo é este: entender como e em que extensão, uma determinada influência é capaz de provocar crise familiar e como a Boa Nova proposta por Jesus nos anima a enfrentá-la. É importante que este trabalho mantenha sintonia com os dois anteriores, pois eles devem ir se completando.

FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA

Escolha um texto Bíblico que tenha iluminado e norteado os trabalhos da Equipe.

Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2007

 


 

MÓDULO IV

“MOTIVAÇÃO: NA NUCLEAÇÃO, NA EXPANSÃO E FORTALECIMENTO DO MFC”
(Desafio eleito pelo CONDIR CENTRO - OESTE)

INTRODUÇÃO

Nos estudos anteriores a Equipe Base pode refletir sobre a situação da família no mundo de hoje sob os prismas do Ver e Julgar. Nessa perspectiva, ela pode detectar os efeitos e reflexos que a família vem recebendo em função da globalização e como isto a tem afetado nos diversos campos (social, político, econômico, religioso, cultural, etc). Para este Módulo IV a equipe, continuando a metodologia do Ver-julgar-agir-celebrar-avaliar, deve ter como método de trabalho o processo do AGIR. O agir cristão deve ser fundamentado na solidariedade, uma via de mão dupla, que é critério-chave para se construir uma sociedade verdadeiramente humana. A partir da fé, como foi estudado no Módulo III, é o exemplo de Jesus que nos leva a agir com a finalidade de dignificar a pessoa humana e, por conseguinte, a família. A evangelização é sempre uma ação libertadora. O Papa Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, afirma que “A igreja tem o dever de anunciar a libertação de milhões de seres humanos; tem o dever de ajudar a nascer essa libertação, de dar testemunho da mesma, de fazer que seja total”. O agir requer engajamento pessoal e organização de forças coletivas e se manifesta em quatro níveis: a) o da assistência, pois o amor ao próximo faz descobrir que há necessidade de um socorro imediato; b) o da promoção humana que mobiliza a dignidade da pessoa e lhe permite sentir-se útil e responsável; c) o do engajamento na defesa dos direitos humanos, hoje fácil e freqüentemente desrespeitados; e d) o da mobilização em favor da transformação social na busca incansável e organizada de mudanças nas relações sociais em todos os seus campos (econômico, político, etc.) e de resgate cultural e religioso, tendo como base os critérios evangélicos de justiça, solidariedade e paz.
É verdade que a grande maioria das ações individuais dos mefecistas (nas quais, por vezes, se mobilizam, também, a Equipe Base ou mesmo todas as equipes da cidade) permanece oculta porquanto se trata de um agir em primeiro nível: o da assistência. Essas ações, porém, geralmente são apenas “portas de entrada” para outras que efetivamente proporcionem um agir solidário e libertador. O MFC seria muito pobre se o seu agir se resumisse apenas na assistência, ou seja, na busca da satisfação de necessidades humanas primárias.
Acreditamos em nosso MFC e temos confiança no trabalho que é realizado pelos mefecistas e, sobretudo, nos resultados positivos que podemos observar a partir da ação que é realizada em cada cidade e estado onde o mesmo atua. O MFC é uma organização familiar de fundamentação cristã que, por meio de metodologia própria, torna possível às famílias (sem exceção, pois o Carisma do MFC, em sua essência é a acolhida), que lutam por um mundo melhor e mais justo, atingir essa realidade. À primeira vista essa possibilidade pode parecer utópica e a idéia que logo vem à mente é “isto não para mim, é algo muito distante”. Afirmamos com tranqüilidade que este pensamento é falso. A maioria dos mefecistas conhece e até já viveu situações, onde, pela sua participação no MFC e pelo seu grau de comprometimento, os levou a tomar decisões que tiveram como objetivo primeiro a busca de um mundo melhor e de uma sociedade mais justa, contrapondo-se às ações e exigências de um capitalismo liberal globalizado. Ao longo destes quase 52 anos de existência no Brasil, o MFC já deu inúmeras provas de sua ação evangelizadora e profética. (neste momento os integrantes da Equipe Base poderiam compartilhar experiências vividas pelos seus membros, em relação a fatos que possam ilustrar esta afirmação). “... as muitas realizações e o serviço efetivo às famílias, especialmente às mais carentes de bens e afetos, alimentaram a alegria e entusiasmo de nossa gente, pela consciência da missão cumprida”. (Caderno Especial – Revista Fato & Razão no 41 – pág. 81). As ações coletivas, que não tenham como único fim o da assistência, constituem-se em perenes desafios para a família mefecista. Para sermos capazes de superá-los necessário se faz uma ação conjunta. É preciso que todos nós tenhamos o mesmo objetivo. Nesse sentido algumas questões estarão permanentemente latentes em nossas mentes e almas:
Em quê e como poderia o MFC ser melhor? Onde estamos falhando? Por que somos tão poucos quando há tantas famílias precisando de nós? Por que muitos chegam e logo se vão? O que procuravam encontrar e não encontraram? Por que o MFC muitas vezes não está onde deveria estar, se cala quando deveria falar, se omite quando deveria agir com coragem? Por que uma certa acomodação e até fuga ao compromisso cristão com o Reino?
“Talvez estejamos falhando, por algum ou vários motivos”. (Caderno Especial – MFC Brasil – Revista Fato & Razão N. 41 pág. 87).

TEXTO DE REFERÊNCIA

O texto a seguir, extraído da revista Fato & Razão no 41, intitula-se “A caminhada do Movimento Familiar Cristão”, e foi escrito por José e Lya Sollero, fundadores e ex-Presidentes Nacionais do MFC. Trata-se de uma resenha de como nasceu, cresceu e se tornou adulto o MFC no Brasil, destacando suas conquistas, lutas, sofrimentos e decepções que viveu ao longo de sua história. Seria muito oportuna a leitura completa do mesmo. Este texto deve ser entendido como exemplo de como o MFC superou a motivação na nucleação, na expansão e fortalecimento, em mais de cinqüenta anos de história.
“Entre o que conseguimos não pode deixar de ser mencionado o “Eis o MFC”, no qual nos definimos corajosamente como “movimento de Igreja”, cujo objetivo é a evangelização e a promoção da família, desenvolvendo seus valores humanos e cristãos, a fim de capacitá-la para cumprir a sua missão de formadora de pessoas, educadora na fé e promotora do bem comum”. Notável é o Movimento apontar aos seus membros as “comunidades familiares de base”, como ideal de vida cristã austera, engajada no apostolado da Igreja a serviço de todos, especialmente dos mais necessitados. É natural que posições claras e precisas, em matérias controversas, nos trouxessem dificuldades, de modo mais doloroso em Igrejas particulares mais tradicionais. A defesa do papel do leigo na Igreja e no mundo; a sua função libertadora; a preocupação constante e as denúncias contra o pecado social da miséria e da fome, do desemprego e do abuso de poder econômico; o acolhimento fraterno às “famílias incompletas”, e dos “ex-padres”; as posições tidas como políticas e os protestos e desagravos em defesa dos direitos humanos; a coragem de repetir, na face dos DOI-CODI’s infernais a pergunta de João e Pedro: “é justo obedecermos antes a vós do que a Deus?” (At 4,19); a proclamação da exigência da promoção do desenvolvimento do homem todo e de todos os homens, em plena fase do “desenvolvimentismo” puramente econômico; a insistência em reclamar a necessidade de reformas urgentes e profundas no Brasil, na linha da “Populorum Progressio”; os erros de apresentação e inabilidades que muitas vezes praticamos; as posições de fronteiras que assumimos, em especial contra o imobilismo dos cristãos; os protestos e desagravos de que participamos, tudo isso nos fez vítimas, muitas vezes, de marginalização, de incompreensões, calúnias, perseguições, prisões e condenações que nos atingiram, ao MFC e às nossas famílias. Não importa que tenhamos recebido esses ultrajes por sermos fiéis ao Evangelho. É o preço da caminhada no deserto. São as marcas de sangue que nossos pés deixaram na marcha insone. Não desanimamos, pois bem sabemos que “o Senhor conduziu o seu povo, deserto a dentro, por que eterno é o seu amor. Somos e continuamos a ser esse povo em marcha. Uma forma de ser Igreja. De sentir com a Igreja”.

SÍNTESE

“Deve prosseguir este esforço de “repensar o MFC”, com diagnósticos e proposições concretas e objetivas para uma profunda revisão e revitalização do Movimento. Conhecendo o que já se refletiu até agora, caberá às coordenações do MFC, em seus diferentes níveis, e aos coordenadores de grupos ou equipes-base, planejar e assumir, com novo entusiasmo e maior lucidez, com fé mais adulta e renovada esperança, com a ajuda de Deus, novas maneiras de ser, viver e agir, como pessoas, casais, famílias e movimento, na busca de respostas sempre mais humanizadoras para os problemas humanos identificados”. (Caderno Especial – MFC Brasil – Revista Fato & Razão N. 41 pág. 96).

FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA

Escolha um texto Bíblico que possa traduzir as angústias e incertezas de uma maior revitalização de nosso MFC.
Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006


MÓDULO V

“RESGATE DO CARISMA DO MFC: PROFÉTICO E LIBERTADOR, NOS CAMPOS FAMILIAR, SOCIAL, RELIGIOSO E POLÍTICO”
(Desafio eleito pelo CONDIR LESTE)

INTRODUÇÃO

Para este Módulo V a Equipe Base, continuando a metodologia do ver-julgar-agir-celebrar-avaliar, deve ter como método de trabalho o processo de AVALIAR. “Avaliar constitui-se um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade com vistas a uma tomada de decisão” (Cipriano Carlos Luckesi). A ação de avaliar complementa o processo ensinar e aprender (com a vida) que é decorrente do mecanismo ação-reflexão-ação. Por isso: estabelecer um julgamento de valor implica considerar se determinada ação foi positiva (eficaz) ou negativa para as finalidades previstas; sobre as manifestações relevantes da realidade, que nada mais são que os aspectos da realidade que se relacionam com os objetivos da própria ação; com vistas a uma tomada de decisão indica que o processo de avaliar tem sempre a finalidade de se buscar reforçar e dar continuidade às ações positivas ou rever e reformular as ações negativas (não eficazes). Assim, a Equipe Base deve estar preparada para avaliar as ações empreendidas pelo MFC de sua cidade, de seu estado, de sua região e do Brasil que tenham como objetivo proporcionar aos MeFeCistas, aos cristãos e a todas as pessoas, possibilidades de crescimento na fé mas, também, possibilidades de crescimento pessoal e comunitário (social). A equipe deve concentrar a sua atenção, naquelas ações do MFC que estejam orientadas para que as famílias possam superar as crises provocadas pela sociedade globalizada, que age implacavelmente sobre ela. É oportuno avaliar tais ações segundo os critérios propostos no parágrafo anterior.
Extrai-se de documentos do MFC, o seguinte conceito de Carisma:
"CARISMA" É DOM CONCRETO, APTIDÃO posta a serviço da COMUNIDADE. Ao mesmo tempo é META e UTOPIA. O MFC expressa esse carisma especialmente: "TRABALHANDO COM AS FAMÍLIAS NA CONSTRUÇÃO DO REINO". O MFC desenvolve um leque de carismas, sem fronteiras absolutas entre eles: profético, crítico e libertador, laico, participativo, comunitário, hospitaleiro, ecumênico e inter-religioso.
• Profético: Dá ao profetismo um caráter conscientizador: "Traduzir a mensagem de Cristo em linguagem viva contemporânea". Sensível ao Espírito e à história, intui e percebe o estado da comunidade e suas necessidades, em momento determinado.
• Crítico e libertador: Exorta e edifica (1Cor 14,3), anuncia e denuncia. Provoca a mudança da consciência e estimula a mudança de conduta e das estruturas sociais.
Vejamos como se pode relacioná-lo com a tarefa proposta para esse Módulo V.
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO FAMILIAR: O Papa João Paulo II afirmou: “o matrimônio e a família constituem os bens mais preciosos da humanidade”. A família é como um porto seguro onde as pessoas se sentem amparadas. Infelizmente a realidade em que vivemos é diferente. Para que a família seja de fato este bem precioso, é preciso que cada um exercite e revigore os valores cristãos necessários (o diálogo, a escuta, a confiança, a abertura, o perdão, a oração, o respeito à dignidade da pessoa, a valorização da pessoa e outros), que concorrem para o bem da família e, também, que se comprometa em defendê-los. Hoje mais do que nunca, a instituição família necessita de profetas e profetisas, capazes, dispostos e corajosos que se coloquem a serviço do Reino, anunciando-o e denunciando todas as formas de injustiça que excluem e segregam “os pobres, as viúvas e os órfãos” de hoje. Temos a coragem para exercer este carisma profético e libertador?
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO SOCIAL: A dignidade é um dom de Deus para cada pessoa.

Ele a deu a cada um e não a toma de volta. O trabalho, autônomo ou não, informal ou formal, justamente valorizado e remunerado, é uma das mais importantes formas de respeito à dignidade humana. Por meio do trabalho, a pessoa se sente valorizada, integrada à vida familiar, comunitária e social. A carência de oportunidades e a desvalorização do trabalho matam ou dificultam a esperança de muitos jovens em constituírem suas famílias. Este fator, juntamente com a carência de testemunhos positivos de matrimônio; a liberdade sexual excessiva e a pornografia veiculada livre e abertamente pelos MCS e a agressão dirigida contra a vida, à família e às instituições, geram uniões provisórias, filhos não planejados, gravidez precoce, paternidade omissa, educação decadente, marginalidade e violência; geram uma incontável gama de desordem pessoal, familiar, social e econômica. Precisamos de políticas públicas que valorizem o trabalho humano, pois nelas se encontram os requisitos para diminuir a criminalidade, a violência e a miséria. A implantação destas políticas só pode ser feitas com a eleição de políticos que tenham princípios e práticas morais comprometidas com o respeito à dignidade da pessoa. Temos a coragem para exercer este carisma profético e libertador?
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO RELIGIOSO: Vivemos num mundo de grandes e rápidas transformações. Porém, Jesus Cristo, permanece o mesmo. E devemos anunciá-Lo e ao seu Reino com muito ardor e convicção. Assumir a missão de evangelizar é assumir a essência do ser cristão, pois ou a Igreja é missionária ou não é Igreja. Percebe-se hoje na sociedade e nas famílias, que campeia a desorientação, a falta de rumo, insegurança, medo. Parece que no mundo de hoje ocorre uma grande carência de profetas que possam nos libertar das amarras mundanas e anunciar com vigor o Reino de Deus proposto por Jesus. Precisamos de profetas dispostos a “pegar no arado, e não olhar para trás”, que possam realizar uma profunda e vigorosa evangelização, que tenha em vista a superação do individualismo, o fortalecimento da família e da vida comunitária. O apelo para que o MFC seja de fato profético e libertador no campo religioso não pode se restringir à pregação doutrinária. Há que se encarar o papel da Igreja enquanto instituição e do Clero. Como a Igreja se prepara para os desafios que o atual século lhe apresenta? Como a Igreja encara os movimentos que possuem identidade própria, sem características de pastorais orgânicas e que desenvolvem seu trabalho, independente da ingerência da sua hierarquia? Por que a simpatia para com a RCC (Renovação Carismática Católica) e outros movimentos similares? Temos a coragem para exercer este carisma profético e libertador?
PROFÉTICO E LIBERTADOR NO CAMPO POLÍTICO: A incumbência de formar bons cidadãos é uma das funções essênciais da família. Para tanto se faz necessário que ela seja estruturada e equilibrada. Neste papel a família é insubstituível. Nestes tempos, porém, a família sofre toda sorte de agressões estando enfraquecida e desestruturada. Luta apenas para existir e sobreviver às pressões da sociedade e não cumpre bem este seu papel. O cristão, cidadão do Reino e do país onde vive, tem, mais que todos, o dever de exigir que os seus direitos e os de seus irmãos, sejam respeitados, principalmente o respeito à dignidade. Nas eleições não vende seu voto; age com sabedoria ao escolher seus representantes e ainda cobra dos eleitos sua responsabilidade para com a justiça e a inclusão social daqueles marginalizados pela sociedade. Muitas vezes, se propõe ele mesmo ser candidato, com a preocupação de vivenciar e levar ao meio político os valores morais e éticos do cristão. O cristão tem autoridade para denunciar as injustiças e fazer valer a verdadeira política voltada para a conquista do bem comum. Temos a coragem para exercer este carisma profético e libertador?

SÍNTESE

Para viver o Reino de Deus aqui e agora o MFC se descobre portador de Carismas como o de ser profético, crítico e libertador. O alvo da avaliação da Equipe Base deve ser: de que forma e como efetivamente esses carismas têm sido vividos pelo MFC por meio das famílias e pessoas que o integram? As ações do MFC em qualquer nível (nacional, regional, estadual, municipal e equipe base) indicam de fato que tais carismas são postos a serviço do Reino? O que se deve mudar para que o MFC seja uma resposta verdadeira às expectativas e necessidades das famílias de nossas cidades e um instrumento eficaz para a construção de um mundo mais justo e solidário? Em suma:
- Podemos dizer que o MFC tem sido Profético?
- Suas ações são de fato Libertadoras?

FUNDAMENTAÇÃO BIBLICA

Escolha um texto Bíblico que possa traduzir as angústias e incertezas de uma maior revitalização de nosso MFC.

Equipe de Metodologia e Conteúdo
SENFOR//2006

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XVI ENA

ESTUDO DO PRÉ-ENA

 

MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO
SECRETARIA NACIONAL DE FORMAÇÃO – SENFOR
EQUIPE DE METODOLOGIA E CONTEÚDO – XVI ENA