CONDIR NORTE, REUNE
Carregados
de grandes emoções, mas muitíssimos felizes, regressamos
de S.Luiz do Maranhão, após mais um Encontro do MFC do CONDIR-Norte...[mais]
| ©
Copyright 2011/ MFC-PA: Todos os Direitos Reservados - Movimento Familiar
Cristão - Pará |
|
Resoluções Suportadas: 1024 x 768 pixels ou superiores |
NOTA DOS EDITORES DA REVISTA: A Psicóloga e cronista da Folha de São Paulo, Rosely Sayão é uma de nossas autoras prediletas e dela temos extraídos muitos textos para nossa revista. O texto abaixo nos pareceu tão oportuno e didático que resolvemos compartilhá-lo imediatamente. Esperamos que nossos amigos tirem bom proveito dessa magistral lição.
DESOBEDIÊNCIA FAZ PARTE
Rosely Sayão*
Mães
e pais andam espan¬tados e/ou perplexos com a desobediência de
filhos pe¬quenos, maiores e até mes¬mo adolescentes. Que
coisa, não? Por que será que esses pirralhos não entendem
que precisam acatar o que seus pais lhes dizem?
Uma leitora conta que é uma mãe dedicada e cons¬ciente
de que o seu maior compromisso na vida, hoje, ê o de educar bem a
filha, que tem cinco anos. Diz inclusive que, regularmente, assiste a palestras
e lê coisas de qua¬lidade a respeito do assunto.
O problema, segundo ela, é que mesmo assim se defron¬ta com as
birras que a filha faz, com manhas na hora de colocar a roupa ou comer e
com pequenos escândalos — quando a garota quer ter ou fazer
uma coisa que a mãe en¬tende que não deve dar ou permitir
naquele momento.
"Qual o meu erro?", me pergunta essa responsável mãe.
Certamente, muitos outros pais
passam pela mesma situação
e se fazem essa mes¬ma pergunta.
Um pai, agora um tanto quanto desconsolado e assus¬tado, enfrenta a
adolescên¬cia do filho. O jovem quer sair sem hora para voltar
e sem dar explicações. Além disso, o garoto sempre
transgride as poucas regras que o pai ten¬ta lhe impor.
Depois de dizer que sempre educou o filho de um modo democrático,
esse pai confes¬sa não saber o que fazer. "Será que
vou ter de castigar meu filho, agora que ele cresceu?", pergunta.
Pelo menos ele não desis¬tiu, como muitos pais de ado¬lescentes
têm feito...
Qual é a questão, afinal? Por que os mais novos insis¬tem
na transgressão?
Será responsabilidade des¬se mundo tão transformado, da
crise de valores, das esco¬las, das más companhias, das "famílias
desestruturadas", como muita gente gosta de afirmar?
Ou será que as crianças de hoje já nascem diferentes,
mais ousadas e com "perso¬nalidade forte"? Ou, ainda, será
que os pais já não sabem mais agir com autoridade?
Não, caro leitor, a questão ê bem mais simples. Então,
de largada vamos lembrar de um princípio básico: sempre que
a educação acontece, há resistência ao processo.
Pronto: é simples assim. A relação da mãe e
do pai com os filhos é sempre um pouco tensa. Por quê? Porque
os pais precisam introduzir o fi¬lho na dinâmica familiar, na
convivência com os outros, na vida que a cada dia apresen¬ta um
pouco mais de desafios e, portanto, compromissos e responsabilidades, entre
ou¬tras coisas. Ora, isso signifi¬ca impor à criança
uma de¬terminada direção.
Comer determinados ali¬mentos desta ou daquela ma¬neira, tomar banho,
vestir es¬ta ou aquela roupa, ir para a escola, não comer em
deter¬minados horários, prestar contas aos pais, respeitar pessoas
etc. etc. Por que a criança deveria aceitar isso de bom grado se
o que ela quer é bem diferente?
Ela quer ficar vendo televi¬são, jogando videogame ou futebol,
dormindo pela ma¬nhã ou acordada de madru¬gada e se colocar
no centro do mundo... Isso é o que ela quer. O jovem quer se grudar
ao grupo, ser plenamente aceito por seus pares, quer di¬versão
sem fim... A juventude é curta, afinal.
Só isso já seria suficiente para nos fazer reconhecer que
eles irão reclamar, resistir, usar todas as estratégias que
têm à mão para demonstrar seu descontentamento. Ê
só isso o que expressa a desobe¬diência e a transgressão.
Faz parte do jogo, não é verdade?
Mesmo tendo aprendido, eles irão insistir na transgres¬são.
Não ê assim no futebol, por exemplo? Por isso o jogo exige
árbitros e penalidades para as faltas.
Então, vamos relaxar: os mais novos sempre irão trans¬gredir,
desobedecer. Ê um di¬reito deles. É dever dos pais persistir
com o processo edu¬cativo em curso, reafirmar po¬sições,
fazer valer o ensina¬do. E ter paciência.
Até quando essa situação persiste? Até a maturidade
dos filhos, que deve chegar por volta dos 20 anos, se ti¬vermos um pouco
de sorte além do empenho investido.
ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar
Meu Filho?" (Publifolha)
Transcrito do Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo

M ovimento
F amiliar
C ristão-Norte