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CASAMENTO: A IMPORTÂNCIA DE CULTIVÁ-LO
Reinaldo Gonçalves*
A confidência de um grande amigo me extraiu lágrimas.
Seu lamento começa assim: “Moro em uma casa que tem uma ampla
varanda cercada de um belíssimo jardim. Diria um tipo agradável
para meditação tanto para uma manhã de verão quanto
para um dia de inverno, quando o sol invade o ambiente trazendo luz e calor.
Em uma daquelas empresas nas quais militei, uma daquelas onde se dedica grande
parte da vida, vicissitudes levaram ao encerramento das atividades depois
de quase uma década de trabalho. Após dez anos de relacionamento,
entre altos e baixos que permeiam a união de um casal, meu casamento
sucumbiu.
Eu não desejava ficar distante daquela casa. Mas tive que desocupá-la.
Eu não me imaginava apagando as luzes daquela empresa. Mas tive que
fazê-lo. Eu não apreciava a idéia de separação.
Mas os sentimentos mudaram.” E arremata com lágrimas nos olhos:
“Cultivamos um hábito pernicioso de só nos olharmos em
sobras de tempo.Diálogo? Pra que se a frieza tomava conta de nós
dois. Nada priorizamos como laços de uma verdadeira família.
Daí o fatídico resultado”.
Insisto que o casamento é um momento muito forte na
vida de um homem e de uma mulher que decidem se unir. As pessoas que se casam
são sinais um para o outro e para a comunidade que tem fé. E
a realidade invisível é o amor, o amor que jura para o outro,
aquela amizade profunda, comprometida, o bem-querer, o desejo forte que surge
naturalmente na vida do par que se ama. Então, os sinais significativos
para a vida, como o casamento, foram elevados à categoria de sacramentos,
isto é, elementos concretos que lembram a presença de Deus.
Portanto o matrimônio é um eixo existencial, pois nele o amor
vive a mútua gratuidade. Os laços que se unem são frágeis,
porque dependem da liberdade. No matrimônio, faz-se a experiência
da garantia da fidelidade. Não somente a fidelidade no âmbito
sexual, mas a fidelidade do estar-junto, do comungar os diários da
vida, o viver em comum-união nos mínimos detalhes. Essa experiência
no âmbito da situação de fraqueza do ser humano, depende
e invoca a força superior, Deus. O sacramento torna transparente a
presença do Deus no amor.
Ninguém pode negar que esse encontro é realmente um momento
muito singular, muito forte na vida dos dois. Uma coisa é a paixão
que, quando acontece, não deixa ver mais nada e quer viver intensamente
aquele momento, sem pensar no futuro. Outra coisa é o amor que, ao
lado do sentimento, coloca sobretudo a responsabilidade pelo outro como pessoa,
o desejo de doação à pessoa amada para fazê-la
feliz e a responsabilidade por aquilo que há de vir no futuro.
O amor é algo tão sério que ele compromete a vida de
quem o vive. Marca profundamente também aqueles que eventualmente nele
fracassam. Na profundidade do ser, do homem e da mulher, existe uma secreta
e indescritível necessidade de que o amor permaneça e seja um
sucesso, independente de momentos circunstanciais. Isso porque se trata de
um compromisso vivido a dois, que coloca em jogo a liberdade e a individualidade
de cada um, e ninguém empenha esses valores para fracassar. Tanto isso
é verdade que o “casa-descasa” deixa nas pessoas que vivem
tal experiência uma indefinida e silenciosa frustração,
pois o encontro gera um sentido de responsabilidade recíproca entre
os esposos, de tal forma que a permanência e a indissolubilidade se
revelam naturais e exigem estabilidade.
O casamento, é claro, produz conflitos: é acompanhado de crises,
é uma relação amorosa conflitual; conseqüentemente,
nele vivem-se alegrias e sucessos, tristezas e tenções, mas
nada que não possa ser feito para a sua continuidade.
O sacramento do matrimônio é como a aliança feita por
Deus com a humanidade representada por Abraão: produz graça,
traz a graça da vida. Conseqüentemente, o matrimônio, quando
vivido nessa perspectiva, que é a perspectiva dos desígnios
de Deus, não admite derrotas, nem as forças do mal prevalecerão
contra ele. Com uma realidade dessas, os esposos têm segurança
de que o seu relacionamento e o lar que fundaram será um relacionamento
de um lar abençoado por Deus.
Nesse contexto, isto é, no contexto do matrimônio que nasce de
um chamado natural e que se eleva, pela fé, à categoria de sacramento,
sinal de salvação, a presença de Cristo torna-se esclarecedora
de uma realidade que não é e nem deve ser passageira, mas uma
realidade eficaz e comunicativa para toda a vida. Por isso vale a pena lutar.
*Membro do Movimento Familiar Cristão (mfc)- do Amapá
(096) 81121486