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Não desanimar jamais
Jorge Leão
A
tristeza ainda respira nos cantos isolados dos abrigos noturnos, em companhias
sombrias da dor e do abandono...
O passado funesto das vidas em culpa parece comandar o presente imprevisível
que nos reserva surpresas.
A aquarela da grande transformação almejada está dentro
de ti, doce criatura divina, manifestação do universo em harmonia
cósmica.
Na passagem ligeira pela terra em mudança, corre muitas vezes para
longe o teu coração. Contudo, um desejo de paz amedronta os
ruídos da guerra, assim que podes ouvir o canto dos pássaros
emergindo no fio da madrugada.
Doce companhia nas horas incertas, de dor e desconsolo, em que tudo parece
distante de nossos mais profundos sentimentos e sonhos.
O canto da vida irrompe, contudo, da noite do desânimo, ainda que tantos
relâmpagos, trovões e tempestades nos causem temor, ou tragam
duros desafios, e por vezes lamentos...
Mas o que seria dos ventos, sem a planície que permite a sua passagem?
O que seria da travessia da vida sem a tormenta das ondas a conduzir para
seu destino o barco da existência?
A noite é escura, mas no seio da madrugada, os primeiros raios de sol
surgem...
O tempo resvala na mata fechada de nossa alma, mas sempre passa um córrego
ao lado, para quem almeja águas límpidas e frescas...
Mais pureza que o infinito do céu, apenas o olhar que dele extrai um
sentido de paz, e esse olhar pode ser o teu...
Mais beleza que a primeira das rosa, apenas o vasto campo que torna possível
expandir seus aromas pelo horizonte, e essas pétalas podem ser as tuas.
Se alguma coisa te entristece, lembra-te da candura de uma criança,
ao ver seu barquinho seguir o curso do rio...
Se alguma coisa te enobrece, reza para que tenhas coragem de compartilhar
este bem com os que te rodeiam e recomeçar...
Pois, acima de tudo, tu és a jóia mais rara que a natureza moldou,
na janela misteriosa da vida que se renova a cada abraço amoroso...
Não desanimes, quando avistares obstáculos...
Eles têm a única função de te levar pra mais longe.
Tu abrigas, em teu jovem coração sedento por felicidade, a graça
de fazeres novamente o trabalho da colheita matinal.
Assim, sempre será possível ver para além do horizonte...
No balbuciar do choro de uma criança, está presente a vida que
aspira crescer...
Por isso, não te deixes abater pelos momentos difíceis, que
a todos visitam...
Tu és a criança que ainda vai nascer...
Tu és a flor que desabrochou no coração dos que te amam...
Tu és a expansão mais bela da grandeza de Deus, pois a terra
canta os passos de quem nela cultiva amor e beleza...
Jamais estarás sozinha, pois a memória do passado apenas nos
faz mais fortes no presente...
Por isso, não desanimes com os ventos, eles seguramente, passam, deixando
revigoradas as raízes das árvores que ficaram na planície...
Prof. de Filosofia do CEFET-MA e membro do MFC-MA
Fote: Revista Fato e Razão MFC Publicação nº64