O EGOISMO NO SÉTIMO DIA

 

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Reflexão
O EGOISMO NO SÉTIMO DIA

*Reinaldo Gonçalves

As escrituras sagradas nos elucidam que o Mundo foi feito em seis dias. E no sétimo, veio o descanso, o alívio pela obra realizada.
Entretanto, a partir do oitavo dia, passou ao domínio do homem. E este não se inspirou em permanecer como fruto de uma mesma Criação. Com o seu orgulho, desfez o seu paraíso. O seu amor excessivo por si mesmo, sem considerar a existência do semelhante, foi repelido para que voltasse a se pó, de onde veio.
Esse oitavo dia, continua a ser vivido até hoje, por todos aqueles que passam por aqui. Iniciado, em soluços, como estamos vivendo. Marcado por lágrimas, até o nosso derradeiro adeus à vida terrena.
Ninguém pode evitar a vigência da lei da causa e efeito. O sofrimento, produto do egoísmo, é um tributo que temos de pagar à vida. Com ele, precisamos conviver, para sabermos sofrer, dentro do significado que ele deve ter. Sem revolta e sem desespero, porque tudo é símbolo dos nossos desmandos.
O tormento faz parte da nossa vida. As nossas preocupações, por mais justas, podem ser fruto da presunção e do excesso por nós mesmos. É a presença do exclusivismo, que faz esquecer os que sofrem e choram, muitas vezes, bem próximos de nós.
Mas o suplício no aborrecimento, na doença, nas privações e nas outras coisas adversas, nos levam a refletir um pouco. Nos aproxima da família, a ser ambiciosos, para pousar naqueles que estão suportando mais.
Na família, os irmãos se encontram na infância e até mesmo na adolescência. Nessas fases, são sempre mais felizes. Porém, depois que ficam adultos, por vezes, se anacoretam. Ficam dominados por esse gigante, de interesses centralizados. Faz lembrar a felicidade e faz sentir saudades da sua família. Mas, egoísta, assombra a desnatura e não aceita o reencontro. É tão amargo que não permite a unidade para adoçar os momentos da existência. Muitas das vezes, não deixa ninguém viver entre os seus mais fraternos. E vai consumindo os dias da entidade humana, até a morte.
A felicidade é continental. Não admite insulamento. E isto porque o homem não sendo auto-suficiente, em matéria e em espírito, não pode ser feliz sozinho. Tem que descentralizar a sua alegria, para a convivência com os outros. Contemplar e ser contemplado. Só a sua faceirice o gratifica e o conforta. O semblante sizudo, é sempre rancoroso e cruel. Recusa que os outros se aproximem, para não ser conhecido na sua egolatria.

Deves olhar e contemplar o semelhante. Num horizonte em que ele seja visto primoroso e atraente. Porque assim, pouco a pouco, vais encontrar com aquilo que encanta a nós e aos demais. Com isso, poderás viver feliz até sozinho, mas num recanto de solidariedade humana.
Não satisfaça os teus olhos com a escuridão, as tempestades e as aflições da vida de seus semelhantes . Utilize-os para conduzi-los ao sol, às flores e à luz do dia. Faz assim, até alcançá-los ao azul do céu. Todos numa inocência igual à das crianças. Enfim,beleza é a harmonia de toda a Criação.
Deixe o universo de esperteza e de hipocrisia. Elas são esse criminoso impune. Primeiro, ilude e afaga as suas vítimas. Depois, as mata e as atira como um resto à sarjeta do desespero e do abandono.
Transforme o coração, numa porta fechada ao egoísmo. Abre-o somente à afeição, ao apreço e à simpatia. Somente estas podem impulsionar o sentimento destinado a desejar o bem a outrem. Somente aqui é que poderás te reencontrar contigo mesmo. Afinal, Páscoa é assim.

 

*Membro do Movimento Familiar Cristão (MFC)

 

 
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