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A RIQUEZA
*Reinaldo Gonçalves
Diante da riqueza e dos ricos, Cristo assumiu três
comportamentos e definiu três compreensões: uma teológica,
outra sociológica e a terceira psicológica.
Cristo jamais condenou a riqueza e não podia fazê-lo, porque
a riqueza foi criada e dada ao homem para que ele se realizasse humanamente,
e usufruísse os bens da lazer e bem-estar. Teologicamente, a riqueza
é um direito de todas as pessoas. É um bem universal. Ninguém
é dono absoluto da terra, das fontes de riqueza e de produção.
Sociologicamente, porém, uns poucos não apenas se apossaram
das riquezas, como ainda sujeitaram e escravizaram os seus irmãos para
que eles produzissem riquezas e bens de consumo. A história da humanidade
é a tragédia da exploração do homem pelo homem,
sob os mais diferentes disfarces, pretextos e razões.
Uma coisa é a teologia da riqueza e da pobreza, e outra bem diferente
é a sociologia dos pobres e dos ricos. Uma coisa é enaltecer
e glorificar a pobreza como virtude heróica e outra bem diferente é
viver na pobreza, é curtir as privações do dia-a-dia.
Cristo teve palavras candentes contra os ricos avarentos, mostrando como seria
difícil que eles entrassem no Reino dos Céus.
Psicologicamente, o rico é dominado por duas obsessões: uma
de aumentar os seus bens, o que realiza através dos mais desonestos
e ominosos processos; e a outra é a avareza , o medo de gastar ou consumir
os seus bens. Em razão disto, sofre muitas vezes privações,
passando a viver tão miseravelmente como os mais pobres.
Cristo exaltou as riquezas e belezas da natureza, a prodigalidade da providência
Divina, convidando-nos a olhar os lírios dos campos e contemplar as
aves dos céus. Elogiou a prudência do ecônomo infiel que
com a riqueza soube conquistar amigos.
No Sermão da Montanha, exaltou os pobres e durante toda a sua vida
os escolheu como seus prediletos e preferidos.
Ficou entristecido, quando o jovem rico lhe voltou as costas por causa do
apego a seus bens e enalteceu a generosidade de Zaqueu, por distribuir parte
dos bens aos pobres. Ordenou aos seus apóstolos que pregassem o Evangelho
de preferência aos pobres.
O amor aos pobres, aos humildes, aos ignorantes é pedra de toque da
autenticidade da nossa fé, porque humanamente é mais agradável
conviver com os ricos, com os sábios, com os poderosos. Os pobres geralmente
só falam de sofrimentos e sempre tem alguma coisa a pedir, enquanto
os ricos podem oferecer da fartura da sua mesa e das alegrias da sua felicidade.
Importante e saber que não podemos servir a dois senhores.
*Membro do MFC-Amapá