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CONDIR NORTE, REUNE
ALGEMAS DA VIDA
*Reinaldo Gonçalves
Carregados de grandes emoções, mas muitíssimos
felizes, regressamos de S.Luiz do Maranhão, após mais um Encontro
do MFC do CONDIR-Norte. A calorosa recepção de nossos queridos
amigos maranhenses, aliado ao espírito que norteou o encontro, foi
demais. Ali, independente de nossos assuntos administrativos – porque
o MFC é sobretudo uma entidade viva, brincamos, cantamos, nos abraçamos,
fizemos teatro, contamos piadas. Tivemos até declaração
de amor, (de Léa para Oseas) tudo num clima de completa harmonia e
paz, a paz recebida do Cristo Ressuscitado. A harmonia reinante na presença
de cada um dos representantes amapaenses, maranhenses, amazonenses e paraenses.
Aquilo que nossas amigas Sebá e Léa chamam de CALOR HUMANO.
O estar próximo, a Comum-União ou COMUNHÃO.
Cá com meus botões fiquei a pensar que nos últimos tempos
os profissionais, e aqui me incluo, lutam contra o tempo, contra a vida agitada,
contra a concorrência, contra tudo e todos. Estão presos nas
algemas da vida profissional.
Estas proporcionam uma separação significativa, seja da família,
da pessoa amada, dos sonhos de viagens, de paz, dos momentos prazerosos, da
companhia dos amigos, pois nos encontramos sempre à disposição
ou em alerta para qualquer chamada ou contato.
A materialização dessas algemas estão cada vez mais presentes
na forma de um celular, e não rara vezes dois, um laptop, internet
e outros equipamentos eletrônicos capazes de nos localizar e a qualquer
momento nos ligar ao mundo do trabalho. Só trabalho !
É engraçado quando percebo que, assim como eu, e me culpo por
tal situação, muitas pessoas nos momentos de descanso, se encontram
sentadas à frente de um computador para verificar e-mails, o laptop
fazendo parte das malas de viagens e, andando para todo lugar com o celular
ligado e sempre preocupado, achando que a qualquer momento uma ligação,
uma conexão importante, irá acontecer.
Falam do sistema penitenciário, da validade da pulseira eletrônica
a ser utilizada nos presos em regime aberto e semi-aberto, para obterem livramento
condicional, com certeza irão funcionar, pois a muito sua equivalência
funciona, ou seja, mais precisamente por volta da década de 90 quando
celulares começaram a ter uma maior proliferação, foi
implantado o regime semi-aberto dos “profissionais do trabalho”.
Rousseau, em “Discurso” (1750), colocou que “da extrema
desigualdade das condições e das fortunas, da diversidade das
paixões e dos talentos, das artes perniciosas, das ciências frívolas,
saíram multidões de preconceitos igualmente contrários
à razão, à felicidade e à virtude: ver-se-ia fomentar
pelos chefes tudo o que pode enfraquecer homens reunidos, desunindo-os, tudo
o que pode dar à sociedade um ar de concórdia aparente e nela
semear um gérmen de divisão real, tudo o que pode inspirar às
diferentes ordens uma desconfiança e um ódio mútuo pela
oposição dos seus direitos e dos seus interesses, e fortificar,
por conseguinte, o poder que os contém a todos”.
Em 1750 não existiam os equipamentos de hoje, mas Rousseau já
falava que a melhor forma de DESUNIR UM GRUPO é criando artifícios
capazes de impor uma divisão real, desunião.
Assim, temos, pois, que analisar qual a real finalidade dos equipamentos eletrônicos
e se estamos nos utilizando destes ou nos escravizando a estes.
Ter poder discricionário é uma capacidade a ser conquistada
e primordial no desenvolvimento de nosso bem-estar, principalmente no que
envolve a elos que intermedeiam a relação profissional e pessoal.
É claro que temos que nos manter informados, conectados e à
disposição de um bom diálogo, mas principalmente temos
que saber viver no tempo certo, não tornando os equipamentos eletrônicos
um membro a mais no nosso corpo (abscesso), mas algo auxiliar e que tenha
hora e lugar certo a ser utilizado. Concluímos afirmando que devemos
viver felizes na era das conecções eletrônicas, não
apenas sobreviver em função delas.
Que venha o ENA para experimentarmos mais esse feliz CONGRAÇAMENTO.
*Membro do MFC do Amapá