Hoje qualquer pessoa tem acesso ao Livro mais famoso do mundo:
a Bíblia Sagrada. Ela já foi traduzida para todas as línguas
(aproximadamente em 1685 idiomas).
A Bíblia foi escrita por partes e em diversas etapas. Começou
a ser escrita, mais ou menos, pelo ano 1250 antes de Cristo - no tempo de Moisés
- quando o faraó Ramsés II governava o Egito. A última
parte da Bíblia foi escrita no final da vida do evangelista e apóstolo
São João, por volta do ano 100 depois de Cristo. Portanto, foram
necessários 1350 anos para a Bíblia ser escrita.
O Museu Britânico e a Biblioteca do Vaticano guardam as cópias
mais antigas da Bíblia.
NO QUE FOI ESCRITA A BÍBLIA?
No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras. A Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho.
CERÂMICA: conhecida como a arte mais
antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas,
nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses "
tijolos".
PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente
às margens do Rio Nilo, chegando até a altura de 4 metros. Do
Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde
foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita uma espécie de folha
de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado
ainda úmido. O papiro era ainda usado na fabricação de
barcos e cestos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam
no papiro. Tais folhas eram escritas só de um lado e depois guardadas
em rolos. Daí que veio a palavra BÍBLIA. A folha tirada do caule
do papiro chamava-se BIBLOS.
BIBLOS = Livro (plural de Biblos = BÍBLIA)
BÍBLIA = os livros ou coleção de livros
PERGAMINHO: feito de couro curtido de carneiro. Começou a ser usado como "papel" na cidade de Pérgamo, pelo rei Éumens II 200 a.C. Pérgamo era uma importante cidade da Ásia Menor. Os egípcios, com inveja da grande importância da biblioteca de Pérgamo, não quiseram mais vender papiro para os moradores daquela cidade. Por isso, o rei de Pérgamo se viu obrigado a usar outro material para a escrita, que foi a pele de ovelha. O pergaminho se espalhou rapidamente para outras regiões.
Os pergaminhos, assim como as folhas de papiro, não eram "encadernados" num livro como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam "rolos".
Antigo Testamento
O Antigo Testamento composto de 46 livros que narram a revelação feita por DEUS antes da vinda de Nosso Senhor JESUS Cristo ao mundo, isto é, a história do povo e DEUS. O AT é o testemunho autêntico da Revelação Divina. O Antigo Testamento é uma coleção de livros onde encontramos a história de Israel, o povo que DEUS escolheu para com ele fazer uma aliança. Portanto, o Antigo Testamento é a história de um povo. Narra como ele surgiu, como viveu escravo no Egito, como possuiu uma terra, como foi governado, quais as relações que teve com outras nações, como estabeleceu as suas leis, a sua religião. Apresenta seus costumes, sua cultura, seus conflitos, derrotas e esperanças.
Mas essa parte da Bíblia é, antes de tudo, a história desse povo em aliança com DEUS. Nada do que se conta no Antigo Testamento a respeito de Israel está desligado do seu relacionamento com Javé, o nome com que DEUS se revelou. O Antigo Testamento conta como esse povo se comportou em relação a Javé. Mostra qual o projeto que DEUS quis realizar no meio da humanidade através desse povo. Israel foi um povo escolhido, diferente, justamente porque estava encarregado de realizar esse plano de DEUS. Esse projeto aparece bem claro nesses livros: considerar só DEUS como o Absoluto, para que as relações entre as pessoas possam ser fraternas e ter como centro a vida e a liberdade.Vendo como Israel foi fiel ou não a esse plano e como DEUS agiu no meio dele, poderemos nos aproximar com mais compreensão da outra parte da Bíblia, chamada Novo Testamento.
Como se divide o Antigo Testamento?
O Antigo Testamento é uma biblioteca de 46 livros, onde encontramos as
experiências, individuais e coletivas, do povo de Israel com DEUS. Esses
livros formam quatro grandes blocos ou tipos de escritos: o Pentateuco, os livros
históricos, os livros poéticos e sapienciais e os livros proféticos.
1. O Pentateuco compreende os cinco primeiros livros da Bíblia. Nele temos a criação do mundo e do homem, a formação do povo de Israel, sua libertação e condução através do deserto para uma terra, e as normas básicas que devem reger uma sociedade justa e fraterna.
2. Os livros históricos mostram os diversos momentos da vida do povo de Israel na terra prometida e no exílio: suas grandezas e lutas, e as conseqüências práticas de sua fidelidade ou infidelidade ao DEUS da aliança.
3. Os livros poéticos e sapienciais apresentam a reflexão de Israel a partir das experiências concretas de vida. Tais livros tratam dos problemas que surgem na vida de cada um e que exigem um discernimento, para que se possa encontrar sentido e realização na vida.
4. Os livros proféticos são uma crítica profunda do presente, para abrir caminhos para o futuro. Antes do exílio, os profetas criticam as estruturas políticas, econômicas, sociais e religiosas injustas e opressoras, exigindo mudanças radicais para que se instaure uma sociedade segundo a justiça e o direito. Após o exílio na Babilônia, eles são anunciadores de consolação e esperança no Senhor, para que o povo de Israel possa reconstruir a sua história conforme o projeto da aliança com DEUS.
Novo Testamento
O Novo Testamento composto de 27 livros narra a revelação feita diretamente por JESUS Cristo e transmitida pelos apóstolos e autores sagrados. Sua mensagem central é o próprio Filho de DEUS.
No Novo Testamento sobressai os Evangelhos, onde nós vemos a missão e a Vida de JESUS. Sendo DEUS e Homem, o próprio JESUS é a expressão total dessa aliança: ele mostra que DEUS é Pai para os homens, e como os homens devem viver para se tornarem filhos de DEUS.
Através de sua palavra e ação, JESUS inaugurou a nova aliança ou, em outras palavras, o Reino de DEUS. Esse Reino ou aliança não é mais aliança com um povo. É aliança aberta a todos os homens, todos os povos de todos os tempos e lugares. Em JESUS, DEUS quer reunir toda a humanidade como uma família em que todos são chamados a viver como irmãos, repartindo entre si todas as coisas. Essa grande reunião, onde tudo é partilha e fraternidade no amor, é o Reino de DEUS que, semeado na história, vai crescendo até que se torne realidade para todos.
JESUS não deixou nada escrito. Ele pregou, ensinou e colocou em prática a vontade de DEUS. Isso fez com que ele entrasse em conflito com a estrutura da sociedade, que o perseguiu, prendeu e matou. Mas JESUS ressuscitou, enviou o Espírito aos seus seguidores, chamados apóstolos e discípulos, e estes continuaram sua missão, pregando, ensinando e fazendo como JESUS fazia. Foram eles que escreveram o que encontramos no Novo Testamento.
Não pretenderam fazer uma biografia de JESUS, nem uma história ou crônica da ação dos seus seguidores. Eles quiseram, em primeiro lugar, anunciar JESUS para que os homens tivessem fé e se comprometessem com JESUS. Fé e compromisso que significam continuar sua palavra e ação, construindo o Reino.
Os livros do NT nos narram também o nascimento da Igreja.
No Novo Testamento destacamos os evangelhos, Atos dos Apóstolos, 21 epístolas
(cartas pastorais, trazem ensinamentos dos Apóstolos às comunidades
que foram surgindo com a difusão do Evangelho) e o livro do Apocalipse,
o único livro profético do Novo Testamento (Livro escrito utilizando-se
de uma simbologia forte).
O que é o Evangelho?
Evangelho é uma palavra grega que significa “Boa Notícia” ou “Boa-Nova”.
O Evangelho de Jesus Cristo narrado por: Mateus, Marcos, Lucas e João, são escritos que nasceram em comunidades cristãs particulares, refletindo suas necessidades, seus problemas e seu compromisso de fé com JESUS Cristo. Bem cedo esses escritos começaram a circular em outras comunidades, e logo se tornaram patrimônios de toda a Igreja.
Depois da morte de JESUS, os discípulos continuaram a sua obra, anunciando a pessoa de JESUS e reunindo comunidades para viver um estilo de vida de acordo com a palavra e a ação de JESUS. O primeiro anúncio, também chamado kerígma, era uma pregação curta, que buscava provocar a conversão e adesão a JESUS (veja o livro dos Atos dos Apóstolos).
Depois disso começava uma etapa de catequese, isto é, de educação para uma vida segundo a fé. E a esta etapa de catequese nas comunidades que remontam as tradições orais e os primeiros escritos que formaram mais tarde o Evangelho. Podemos dizer, portanto, que o Evangelho são um espelho da catequese que era feita nas primeiras comunidades cristãs. São semelhantes entre si porque tratam do mesmo JESUS. Apresentam variações e diferenças porque nasceram em comunidades diferentes.
O Evangelho foi escrito entre 30 e 70 anos depois da morte de JESUS. Sua intenção não era em primeiro lugar fazer uma biografia, uma história de JESUS. Queriam, sim, esclarecer e manter vivo na comunidade o compromisso com JESUS, recordando e adaptando suas palavras, sua atividade e seu destino (morte e ressurreição). Desse modo, as comunidades podiam continuamente se lembrar do que deviam dizer e fazer e de como era chamada a seguir o mesmo destino de JESUS, rumo à morte e ressurreição.
Os evangelistas são quatro, a saber:
1) Mateus – Apresenta JESUS como mestre da justiça.
Mateus apresenta JESUS com o título de Emanuel, que significa: “DEUS está conosco” (Mt 1,23). À medida que lemos este Evangelho, vamos descobrindo o significado desse título: DEUS está presente em JESUS, comunicando a palavra e ação que libertam os homens e os reúnem como novo povo de DEUS. As últimas palavras de JESUS (Mt 28,20) são uma promessa de permanência: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Essas palavras, dirigidas ao grupo dos discípulos, mostram que Mateus vê a comunidade cristã como semente do novo povo de DEUS, povo que é o lugar onde se manifestam a presença, ação e palavra de JESUS.
Segundo Mateus, JESUS é o Messias que realiza todas as promessas feitas no Antigo Testamento. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de JESUS, que esperavam apenas um rei terrestre para libertá-los da dominação romana. Frustrados em suas expectativas, eles o rejeitam e o entregam à morte. Por isso, a comunidade reunida em torno de JESUS torna-se agora a portadora da Boa Notícia a todos os homens, a fim de que eles façam parte do Reino do Céu.
Logo de início, Mateus apresenta JESUS como o Mestre que veio realizar a justiça: “devemos cumprir toda a justiça” (Mt 3,15). O restante do Evangelho mostra que, através da palavra e ação, JESUS vai educando a comunidade cristã para a prática dessa justiça, isto é, vai ensinando como se deve realizar concretamente a vontade de DEUS. Desse modo, a comunidade aprenderá a dizer a palavra certa e a realizar a ação oportuna no tempo e lugar em que está vivendo.
2) Marcos – Responde a pergunta: quem é JESUS?
Marcos escreveu o seu Evangelho para responder à pergunta “Quem é JESUS?”. O evangelista, porém, não responde isso diretamente. Ele apenas relata a prática ou atividade de JESUS, deixando que o leitor chegue por si mesmo à conclusão de que JESUS é o Messias, o Filho de DEUS (1,1; 8,29; 14,61; 15,39). Portanto, na leitura de Marcos, o importante é estar atento ao que JESUS faz.
Toda a atividade de JESUS é o anúncio e a concretização da vinda do Reino de DEUS (Mc 1,15). Isso se manifesta por uma transformação radical das relações humanas: o poder é substituído pelo serviço (campo político), o comércio pela partilha (campo econômico), e alienação pela capacidade de ver e ouvir a realidade (campo ideológico).
Trata-se de uma proposta alternativa da sociedade, que leva ao nivelamento fraterno das pessoas. Isso provoca a oposição dos privilegiados, e o resultado é um conflito em que JESUS é preso e morto. Mas ele ressuscita, e sua Ressurreição é a sentença condenatória da estrutura da sociedade que o matou.
O livro de Marcos é apenas o começo da Boa Notícia, ou Evangelho (1,1). O autor deixa claro, portanto, que sua obra não é completa e que, para chegar ao fim, supõe que o leitor tome uma posição: continuar o livro através de sua própria vida, tornando-se discípulo de JESUS.
Como discípulo, o leitor deve agora chegar a uma decisão, isto é, reconhecer JESUS como o Messias que leva à plenitude da vida (8,29; 15,39) e aceitar o seu convite, indo ao encontro do Ressuscitado na Galiléia (16,7). Não se trata simplesmente de voltar a ler o Evangelho desde (1,14) e sim, de continuar no tempo presente a atividade concreta de JESUS, através de uma prática que faça renascer continuamente a esperança da vinda do Reino.
3) Lucas: Com JESUS nasce uma nova história.
O terceiro Evangelho apresenta o caminho de JESUS como um caminho que se realiza na história. Para percorrê-lo, o Filho do Altíssimo (1,32) se faz homem em JESUS de Nazaré (2,1-7), trazendo para dentro da história humana o projeto de salvação que DEUS tinha revelado, conforme a promessa feita no Antigo Testamento (1,68-70).
O caminho de JESUS introduz o processo de libertação na história, e por isso realiza uma nova história: a história dos pobres e oprimidos que são libertados para usufruírem a vida dentro de novas relações entre os homens. O programa da ação libertadora de JESUS é apresentado no seu discurso na sinagoga de Nazaré (4,16-22). Trata-se de uma ação que entra em choque com a história contada pelos ricos e poderosos que exploravam e oprimiam o povo, reduzindo-o à miséria e fraqueza. O caminho de JESUS começa a contar a história construída pelos pobres (1,46-55; 1,67-79). Desse modo, surge entre os homens o caminho da salvação, que é o caminho da paz (1,79).
O ápice desse evangelho está nas palavras de JESUS na cruz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (23,46). A morte de JESUS é a sua libertação nas mãos de DEUS. Ela aparece como conseqüência da sua ação voltada para os pobres e oprimidos, provocando toda a violência do sistema baseado na riqueza e no poder. Mas ela é também a libertação, por causa da obediência total e confiante a DEUS. Por isso a morte de JESUS para o mistério de DEUS. JESUS faz da sua vida e morte um ato de humilde entrega a DEUS, e DEUS responde com a ressurreição (At 2,22-24; 3,15), que revela e legitima o caminho de JESUS como o caminho da vida. Lucas também é o autor do livro Atos dos Apóstolos.
Os três evangelhos acima são chamados Sinóticos, isto é, eles são semelhantes entre si.
4) João: JESUS é o caminho, a verdade e a vida.
O Evangelho de João é diferente dos três primeiros. Em Mateus, Marcos e Lucas há muitos milagres e palavras de JESUS. Em João encontramos apenas sete milagres, que são chamados de sinais, e alguns discursos que se desenvolvem lentamente, repetindo sempre os mesmos temas-chave.
O Evangelho de João é uma espécie de meditação, que procura despertar e alimentar a fé em JESUS Cristo, o Filho de DEUS, a fim de que os homens tenham vida (Jo 20,30-31). JESUS é o enviado de DEUS, aquele que revela o Pai aos homens. DEUS ama os homens e quer dar-lhes a vida. JESUS revela esse amor e realiza a vontade do Pai, dando sua vida em favor dos homens.
João procura mostrar isso através dos sete sinais que ele apresenta na primeira parte do Evangelho, salientando aí a importância do compromisso da fé. Na segunda parte, ele mostra a mesma coisa, salientando a importância do amor e narrando o supremo sinal: a volta de JESUS ao Pai, através da morte e ressurreição.
A revelação de DEUS em JESUS coloca o mundo em julgamento. Diante da luz da revelação, a vida dos homens se esclarece. Os que vivem conforme a vontade de DEUS, aproximam-se de JESUS e o aceitam. Os que não vivem conforme a vontade de DEUS, se afastam dessa luz, rejeitando a JESUS. Reações de aceitação, que leva a vida, e de recusa, que leva à morte.
Nós somos convidados a ler este Evangelho colocando-nos nesse clima de julgamento para tomarmos uma decisão: aceitar e continuar a obra de JESUS, pondo-nos a serviço da vida dos irmãos, ou rejeitar a JESUS, aprovando um sistema de exploração e opressão. A primeira atitude nos conduz definitivamente para a vida; a segunda, definitivamente para a morte.
O evangelista São João escreveu também
três cartas (IJo, IIJo e IIIJo, dirigidas à Igreja, isto é,
a nós) e o livro do Apocalipse.
Atos dos Apóstolos
Este livro é a segunda parte do Evangelho de São Lucas. No Evangelho, Lucas apresenta a vida e a atividade terrestre de JESUS como uma grande viagem que vai da Galiléia até Jerusalém, centro político-religioso do judaísmo. Nos Atos dos Apóstolos, ele apresenta a atividade dos apóstolos como uma grande viagem que vai de Jerusalém até Roma, o centro do mundo naquela época.
O resumo do livro dos Atos está em At 1,8: “O Espírito Santo descerá sobre vocês, e vocês serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra”. O livro dos Atos é, portanto, o livro do testemunho. Há quatro pontos importantes nesse livro: o kérigma, a catequese, a vida das comunidades e a missão.
O kérigma é o primeiro anúncio, para provocar a conversão daqueles que não aceitaram ou daqueles que ainda não conhecem JESUS Cristo. Esta foi a primeira atividade dos apóstolos.
A catequese é o aprofundamento na fé daqueles que já se converteram, mas sentem necessidade de conhecer mais detalhadamente a pessoa, o ensinamento e a prática de JESUS.
A vida das comunidades: A ação dos apóstolos dá origem às primeiras comunidades cristãs, núcleo de uma nova sociedade, baseada na fraternidade e na partilha. O livro narra também as dificuldades, os conflitos que essas comunidades viveram e enfrentaram.
A missão apostólica, sintetizada principalmente
na figura de São Paulo. Ele é apresentado como o modelo do agente
missionário que leva o Evangelho por todas as partes, até atingir
o centro do mundo daquela época (Roma).
Temos também no NT as cartas dos Apóstolos dirigidas a várias
comunidades e um livro profético que é o Apocalipse, que quer
dizer revelação.
Como a Bíblia chegou até nós.
DEUS fala pela vida do povo. Em seguida, o povo conta e reconta como descobriu DEUS na vida, ou seja, era o povo que conservava a história na memória. E onde eram contadas estas histórias? Era nos templos, em romaria, enfim qualquer lugar onde tinha o povo de DEUS reunido. É isto que chamamos de Tradição Oral.
A Bíblia foi escrita para: contar o passado, anunciar o futuro e mostrar o presente.
Por volta do ano 1200 a C, o povo começou a escrever estas histórias em folhas de papiro (um tipo de papel) e pergaminho (couro seco de ovelha). O objetivo era preservar bem na memória a revelação de DEUS na vida do povo.
Os primeiros escritos foram anônimos, com o passar do tempo, foram colecionados, atualizados e incorporados em conjuntos maiores. Só então foram atribuídos a algum grande personagem. Por exemplo, a Lei foi atribuída a Moisés, os salmos a Davi e os livros sapienciais a Salomão (livros que apresentam a sabedoria e a espiritualidade de Israel). A Bíblia ficou pronta no ano 100 d.C.
Dentre as diversas traduções da Bíblia, vamos ver as duas mais conhecidas que são: Tradução dos Setenta e a Vulgata.
a) Tradução dos Setenta: Como foi que surgiu esta tradução? Os Judeus de Alexandria falavam o grego e tinham uma literatura própria. Era necessária que tivessem também a Bíblia em grego.
Começou-se então a tradução da Bíblia para o grego em meados do séc. III a.C. e durou cerca de um século. Diversos tradutores trabalharam com resultados diferentes. Os Judeus foram os primeiros a perceber que o que “era dito em hebraico quando traduzido perdia sua força para outra língua”. Mesmo assim esta tradução foi usada e recebeu o nome de “a tradução de Alexandria”.
De onde surgiu a denominação de Setenta? Surgiu de uma lenda; diz que esta tradução teve origem milagrosa, a saber: o rei Ptolomeu II (285-247 a C), querendo possuir um exemplar grego dos livros sagrados dos Judeus, teria pedido ao sumo sacerdote Eleázaro de Jerusalém os tradutores respectivos. Eleázaro teria enviado seis sábios de cada uma das tribos de Israel (72 sábios) para Alexandria. Cada um destes sábios ficou em um cubículo isolados e produziram o mesmo texto grego do AT! Este fato tornou-se bastante conhecido e fez com que a tradução de Alexandria fosse também denominada dos “Setenta Intérpretes”. Isso é muito importante porque refere o modo como os Judeus liam a Bíblia nos século III/II a.C.
b) A Vulgata: Entre os Cristãos do Ocidente havia no século IV tantas traduções latinas da Bíblia que os leitores se viam confusos a respeito. Foi por isto que o Papa São Dâmaso (366-384) d.C pediu a São Jerônimo que fizesse uma revisão dessas traduções. São Jerônimo dedicou uma boa parte de sua vida, mais ou menos 20 anos, levando uma vida de ascetismo e de estudo. Sem esmorecer diante das dificuldades e sem se cansar no longo e áspero caminho, revisou o texto grego do N.T. e traduziu o hebraico do A.T., dando à Igreja um texto latino que logo se propagou e foi chamado “Vulgata latina”. Esta tradução foi lida até o Concílio Vaticano II. Hoje a que nós lemos é a tradução Neo-Vulgata, isto é, a mesma do São Jerônimo, porém com mais recursos lingüísticos.
Falando em São Jerônimo, é bom lembrar
que o seu dia é comemorado no dia 30/09. Vamos pedir a Ele neste dia
que interceda a DEUS por nós para que despertemos maior interesse pela
Sagrada Escritura.
O Autor da Bíblia
O autor da Bíblia é o próprio DEUS. A Bíblia é, do início ao fim, inspiração de DEUS. Inspiração é a iluminação da mente do autor humano para que possa, com os dados de sua cultura religiosa e profana, transmitir uma mensagem fiel ao pensamento de DEUS. Então podemos afirmar claramente que DEUS nada dispensa a atividade do homem. Podemos dizer que a Bíblia é um livro humano e divino.
A Bíblia é toda de DEUS e toda do homem, ela nos transmite o pensamento de DEUS revestido da linguagem humana. Assemelha-se como o Mistério da Encarnação; DEUS se revestiu da carne humana. A Bíblia é a palavra de DEUS revestida da palavra do homem.
A finalidade da inspiração bíblica é
estritamente religiosa. Não existem erros na Bíblia. Não
podemos comparar fatos encontrados na Bíblia com o de ciências
naturais. Portanto, o objetivo da inspiração bíblia é
religiosa, pois nos ensina aquilo que o homem não pode compreender por
sua inteligência, ensina sobre o plano de amor e salvação
que DEUS tem para nós.
Gênero literário
Como já vimos, a Bíblia é a palavra de DEUS revestida da palavra humana. Veja, se DEUS usou o homem para que Sua palavra fosse escrita, Ele respeitou a linguagem, o gênero de cada autor. Se este quis usar de metáfora, não deverei tomá-lo ao pé da letra, se quis usar de gênero estritamente narrativo, não deverei entendê-lo metaforicamente.
Assim, temos na Bíblia vários estilos diferentes; a poesia, história, parábolas, etc. Cada gênero literário tem suas regras de expressão, por exemplo: temos uma história belíssima, espécie de romance que é o livro de Tobias. Mas devemos ter sempre em mente que todo e qualquer versículo da Bíblia, por menor que seja, tem o objetivo de transmitir um ensinamento divino.
O livro Cânticos dos Cânticos também nos fala de um amor apaixonado. Ele aborda a experiência humana mais profunda, universal e significativa: o amor. Porém, de que amor se fala? Ele nos fala inseparavelmente, pois o homem, com toda sua humanidade, é imagem e semelhança de DEUS e, além disso, como diz São João, “O amor procede de DEUS, e todo aquele que ama nasceu de DEUS, e conhece a DEUS... pois DEUS é Amor” (1Jo4, 7-8). Assim sendo, o amor humano é o espelho, o sacramento, o sinal, a manifestação do próprio DEUS. Em suma este livro mostra o Amor de DEUS para com os homens Cant2,8-10.
Temos também um livro de difícil leitura que é o Livro do Levítico. Este livro é um dos mais difíceis e o menos lido na Bíblia. Qual será o seu conteúdo? O livro do Levítico apresenta um emaranhado de leis, cerimônias, rituais, festas e costumes. Até JESUS parece desestimular sua leitura quando Ele critica as leis sobre o que é puro e impuro. Os Judeus observavam à risca o conteúdo deste livro.
Mas, mesmo que este livro apresenta dificuldades para a leitura e muitas leis superadas mas não podemos esquecer que faz parte da revelação de DEUS e tem mensagem válida sempre. É no Levítico que encontramos o convite: “Sede santos por que eu, o Senhor vosso DEUS, sou santo” Lv 19,2. E também encontramos uma regra de ouro, que JESUS retoma: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo“ Lv 19,18.
Outro estilo muito usado pelo Mestre JESUS é o da parábola. Por exemplo, o Filho Pródigo, onde JESUS quis nos mostrar o grande amor de DEUS e como Ele trata o pecador que se arrepende. Lc 15-11-32
A linguagem da Bíblia é a linguagem daquela época;
era a realidade daquele povo. Às vezes aparece sentido metafórico.
Para simplificar ainda mais: vou comentar algo que ficou por muito tempo em
nossas cabeças ou quem sabe ainda está. A simbologia: homem feito
de barro conforme narrado em Gn 2,7 – O que o autor sagrado quis nos mostrar?
Obra perfeita. Sim, ele quis nos dizer que o homem é a obra mais perfeita das mãos de DEUS. É a obra predileta do Pai. Mas porque o barro? Sabemos que na época em que a Bíblia foi escrita não tinha ainda os recursos de hoje. As escritas, as obras de arte, as leis; tudo que o povo queria conservar fazia com o barro, pois era o material mais eficaz da época.
Outro exemplo é da videira; onde JESUS diz ser a videira, DEUS é o agricultor; e quem são os ramos? Somos nós! JESUS fez a comparação da videira, pois todos aqueles que O seguiam conheciam muito bem esta árvore, e, assim, tantas outras comparações.
Os números na Bíblia também têm um significado forte. O povo usava os números para se expressar: Por exemplo, para dizer que uma pessoa era muito abençoada e vivia na Graça de DEUS, diziam: fulano viveu 765 anos. Sobre a nossa Irmã Dulce na Bahia, o povo iria dizer que ela teria vivido 1000 anos, pois sabemos que ela teve sua vida totalmente voltada para servir a DEUS e ao próximo. Os números 7 e 12 também são muitos usados na Bíblia. O 7 perfeição, o 12 totalidade. Temos aquela passagem em JESUS que devemos perdoar 70 x 7, isto é para sempre.
O número 40. A Bíblia usa com freqüência período de 40 dias (ou 40 anos) para indicar ocasiões especiais em que são vividas experiências importantes: São 40 anos de caminhada do povo no deserto, os 40 dias que JESUS esteve no deserto, 40 dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de preparação para a Páscoa, que é a Quaresma, etc. Existem outras passagens na bíblia para mostrar “tempo completo”, isto é, tempo necessário para se ter uma experiência perfeita. Esses períodos vêm antes de fatos importantes e se relaciona com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.
Há também na Bíblia mentalidade “meio estranha” mas era mentalidade do povo naquela época, por exemplo, vimos a história de Samuel em 1Sm 3,1-10. Sua mãe era estéril e por causa disso vivia no templo orando para que o Senhor lhe concedesse um filho, pois as mulheres estéreis eram consideradas amaldiçoadas por DEUS.
Enfim, estes foram alguns exemplos que nos ajudam a compreender
e amar a Bíblia Sagrada.
A Bíblia católica é diferente da protestante?
Se um católico descobre em casa uma Bíblia publicada pelos protestantes, freqüentemente fica meio cismado e pergunta: “Será que posso ler? Será que não é diferente da Bíblia católica?” Por outro lado, não entende como pode haver duas Bíblias, uma diferente da outra. A Palavra de DEUS não é uma só?
A questão é a seguinte: na Bíblia protestante faltam alguns livros na parte do Antigo Testamento, livros que existem na edição católica: Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, os dois livros dos Macabeus, pequenos trechos dos livro de Ester (10,4-16,24 e alguns trechos do livro de Daniel. São chamados de livros deuterocanônicos (segunda lista). A Igreja católica os aceitou como sendo inspirados, como sendo Palavra de DEUS, enquanto para os protestantes são chamados apócrifos).
Apócrifos para nós católicos são certos livros antigos, semelhantes a livros bíblicos não inseridos na Bíblia e são considerados apócrifos – palavra grega que significa “escondido” mas neste caso adquiriu o sentido de “falso”. Indicando, portanto, os livros de origem incerta, são eles: Os mais conhecidos o Proto-evangelho de Tiago e o Evangelho secreto da Virgem Maria.
Para entender essa diferença, é preciso conhecer um pouco a história do texto do Antigo Testamento. A Bíblia, inicialmente, só existia em hebraico. Quando os Judeus se espalharam pelo mundo, sentiram necessidade de traduzi-lo para uma língua mais universal naquela época: o grego.
Acontece que no Antigo Testamento traduzido foram colocados alguns livros que não estavam na Bíblia hebraica e que eram mais recentes. São aqueles que citamos acima. Os protestantes consideram como Palavra de DEUS só os livros do Antigo Testamento que fazem parte da Bíblia hebraica, enquanto que a Igreja católica considera também alguns que foram acrescentados na tradução grega feita pelos Judeus.
Para organizar a lista dos livros da Bíblia os Fariseus antigos, julgaram que, para serem inspirados por DEUS, os livros deveriam ser:
a) Antigo, isto é, não escritos depois de Esdras
e Neemias.
b) Escritos em língua “sagrada” isto é, hebraico e
aramaico.
c) Fossem de acordo com a lei de Moisés.
d) Tivessem origem na Palestina e não em terra estrangeira. Os livros
de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiásticos, Baruc, I e II Macabeus,
não satisfazem todos esses requisitos e não foram aceitos pelos
fariseus na organização e fixação do Cânon,
isto é, a lista de livros. Os protestantes adotaram o cânon hebraico,
por isso na bíblia deles faltam os 7 livros mencionados acima.
Essa é a diferença entre a Bíblia católica e protestante. O Novo Testamento é igualzinho. Portanto, se você tem uma Bíblia protestante não precisa rasgá-la ou queimá-la. Basta você estar ciente de que faltam esses livros, que você poderá ler uma Bíblia católica.
É bom ressaltar também que mesmo entre as bíblias católicas existem algumas diferenças nas traduções. Por exemplo: Ave Maria é diferente da Bíblia de Jerusalém. Mas por que existe diferença? As diversas traduções têm o objetivo somente de facilitar a leitura do povo mais simples. Mas esta diferença é apenas no vocabulário usado, o conteúdo é o mesmo.
Necessidade da leitura bíblica
A Leitura da Bíblia é necessária para todos os Cristãos. É o nosso livro por excelência. É verdade que a leitura da Bíblia não é indispensável para a salvação. O que seriam das pessoas que não sabem ler? Mas isso não deve diminuir a atenção aos textos sagrados, mesmo porque, a Bíblia inteira é uma verdadeira carta de amor que o nosso Pai nos envia com as Suas exortações, conselhos. Seria uma grande falta de amor para com DEUS não ler a sua Carta.
Como devemos ou não ler a Bíblia
a) Com espírito de oração. Ler a Bíblia
é entrar em contato com DEUS, daí se conclui que as disposições
devem ser as mesmas que se recomendam para a oração: humildade,
retidão de intenção, pureza de coração e
o desejo de maior união com DEUS.
b) Buscar apenas conhecimentos divinos.
c) Não devemos ler a Bíblia em busca de curiosidades ou espírito
crítico.
DEUS NÃO SE COMUNICA COM O ORGULHOSO
Preciso ler também o Antigo Testamento?
Sim, para compreender o NT é necessário ler e conhecer também o AT, pois o Novo Testamento é o cumprimento do Antigo Testamento.
Como exemplo cito o Evangelho de São Mateus, para compreendê-lo bem é bom que se conheça o Livro do Levítico.
Como localizar uma passagem na Bíblia.
Os livros da Bíblia são divididos em capítulos, e os capítulos em versículos. Os capítulos são indicados com números grandes; os versículos com números pequenos. No começo das Bíblias encontramos sempre uma lista das abreviaturas dos livros. Para citar uma passagem, coloca-se a abreviatura do livro, seguida por número que indicam o capítulo e o versículo que se deve ler.
Vejamos alguns exemplos:
- A vírgula separa o capítulo do versículo. Ex.: Jo1,14 = Evangelho de João, capítulo primeiro, versículo quatorze. “E o verbo.....” e 1Jo3,2
- O traço pode indicar uma seqüência de versículos ou uma seqüência de capítulos. Ex.: Dt 15,1-8 = livro do Deuteronômio, capítulo quinze, versículo um até o versículo oito.
Mt 5,3-7,5 = Evangelho de Mateus, do capítulo cinco, versículo três, até o capítulo sete, versículo cinco.
- O ponto separa versículos saltados. Ex. Is43,1-4.6 = Livro de Isaías, capítulo 43, versículos 1 a 4, pula o versículo 5 e lê o versículo 6.
- O ponto e vírgula separam tanto capítulo de capítulo, como livro de livro. Ex.: Mt 5,3;8,2 = Evangelho de Mateus, capítulo cinco, versículos três, depois, Mateus, capítulo oito, versículos dois. e capítulo oito, versículo dois ou Mt 5,3; Lc 2,4 = Evangelho de Mateus, capítulo cinco, versículo três e, depois, Evangelho de Lucas, capítulo dois, versículo quatro.
Para localizar um livro dentro da Bíblia, consulte o índice, que mostrará em que página está aquele livro.
“Talvez você seja o único Evangelho que seu irmão
possa ler. Você já pensou nisso?”
Os Povos citados na Bíblia
1) Os Samaritanos - Apesar de não pertencerem ao judaísmo propriamente dito, os samaritanos aparecem como um grupo característico do ambiente palestinense e são mencionados várias vezes no Novo Testamento.
São considerados como raça impura pelos Judeus, por serem descendentes da população israelita misturada com estrangeiros que se transferiram para a Samaria, após a queda do Reino do Norte sob o poder da Assíria em 722 a.C. (2Rs 17,24-41). Considerados como grupo herético e cismático, os samaritanos viviam em contínua rixa com os Judeus, que os detestavam até mais que aos pagãos.
Mais ainda que os Judeus, os samaritanos observavam escrupulosamente a tradição oral e as leis do Pentateuco, que para eles é a única Escritura válida. Além disso, seu lugar exclusivo de culto não é Jerusalém, mas o monte Garizim, que fica perto de Siquém, na Samaria.
Acreditavam na profecia e esperavam um messias que se chamava Taeb (= aquele que volta); este, porém, não seria um rei descendente de Davi, mas um novo Moisés, que revelaria a verdade e organizaria a sociedade no fim dos tempos.
Os samaritanos aparecem diversas vezes nos Evangelhos. Um dia JESUS foi insultado com o apelido de “samaritano” (Jo 8,48). Jo 4 informa sobre a conversa de JESUS com uma samaritana, sua pregação aos habitantes de uma aldeia da Samaria e a conversão de muitos; mas a narrativa deixa clara a hostilidade que existia entre os dois grupos.
Todavia, o Evangelho abre um horizonte novo: um samaritano é apresentado como exemplo de amor ao próximo (Lc 10,33ss), e o único dos dez leprosos a quem JESUS curou, e que lhe agradeceu, era um samaritano (Lc 17,16). JESUS não poderia exigir ato maior de um judeus do que aceitar um samaritano como irmão.
2) Os Essênios - Os essênios eram uma espécie de associação ou comunidade religiosa do judaísmo, um tipo de ordem monacal com tendências claramente ascéticas. O nome vem do aramaico e pode significar “os piedosos” ou “os calados”. As principais notícias sobre a existência do grupo provem dos escritos dos Judeus Fílon e Flávio Josefo.
A partir das descobertas de documentos em grutas perto do mar Morto (Qumrã), em 1947, muitos pesquisadores identificaram a comunidade de Qumrã com os essênios, ou ao menos com um grupo deles.
A seita dos essênios formou-se a partir da fusão de sacerdotes dissidentes do clero de Jerusalém e de leigos exilados. Na época de JESUS eles viviam em comunidades com estilo de vida bastante severo, caracterizado pelo sacerdócio e hierarquia, legalismo rigoroso, espiritualidade apocalíptica e a pretensão de ser o verdadeiro povo de DEUS. Em muitos pontos eram semelhantes aos fariseus, mas surgiram e se mantiveram sempre em ruptura radical com o judaísmo oficial.
A organização da comunidade lembra muito das ordens religiosas cristãs: essas pessoas dirigiram-se para regiões de grutas, para aí viverem em ideal “monástico”. Levavam uma vida em comum, onde os bens eram divididos entre todos, havia a obrigação de trabalhar com as próprias mãos (em geral na agricultura), o comércio era proibido, assim como o derramamento de sangue, mesmo em forma de sacrifícios.
As condições para a admissão na comunidade eram severas, acontecendo depois de um tempo de noviciado. A comunidade caracterizava-se ainda pelo governo hierárquico, disciplina austera, rituais de purificação, e ceias sagradas comunitárias. Esperavam um messias que iria fazer a guerra santa, exterminando os ímpios para estabelecer o reino eterno dos justos.
3) Os saduceus - Na sociedade judaica do tempo de JESUS podemos distinguir vários grupos, que se diferenciam no modo de se relacionar com a política, a economia e a religião. Esses grupos tinham grande importância no quadro social da época.
O grupo dos saduceus era formado pelos grandes proprietários de terra e pela elite dos comerciantes. Desse grupo provinham os Anciãos, isto é, aqueles que controlavam a administração da justiça no tribunal suprema, chamada Sinédrio; do mesmo grupo provinha também a elite sacerdotal, que administrava o Templo e era responsável pelo culto.
Os saduceus, portanto, concentravam nas suas mãos todo o poder político. Embora não se relacionassem diretamente com o povo, eram intransigentes com a sociedade e vivam preocupados com a ordem pública. Esse grupo foi o principal responsável pelo julgamento e morte de JESUS.
Os saduceus foram os maiores colaboradores da dominação romana na Palestina e sempre mantiveram uma política de conciliação, certamente pelo medo de perder seus cargos e privilégios. Por essa razão sempre foi o grupo mais odiado pela ala nacionalista do judaísmo.
No que se refere à religião, os saduceus era o grupo mais conservador: aceitavam apenas a autoridade da lei escrita e rejeitavam as novas concepções geralmente aceitas pelos escribas e fariseus (crença nos anjos, demônios, ressurreição e messianismo). O grande debate desse grupo com JESUS foi sobre a questão da ressurreição (cf. Mc 12,18-27) e, no processo de JESUS, a questão do messianismo. Como grupo, os saduceus desapareceram com a destruição do Templo pelos romanos no ano 70 d.C.
4) Os escribas - Na sociedade judaica do tempo de JESUS, o grupo dos escribas ou doutores da Lei estava em ascensão e adquiria cada vez maior prestígio. Seu grande poder residia no saber. Com efeito, eles eram os especialistas na interpretação da Sagrada Escritura; como esta era a base da vida do povo judaico, os escribas acabaram se tornando especialistas em direito, administração e educação.
A influência dos escribas se fez sentir principalmente em três lugares: no Sinédrio (tribunal superior), na sinagoga (casa de oração) e na escola. No Sinédrio eles se apresentavam como juristas para aplicar a Lei de Moisés em assuntos governamentais, administrativos e em questões judiciárias.
Na sinagoga eles eram os grandes intérpretes da Sagrada Escritura, criando novas tradições através da releitura, da explicação e da aplicação da Lei para os novos tempos e circunstâncias. Eram eles que abriam escolas para ensinar a ler e escrever, formando novos discípulos.
Embora os escribas não pertencessem economicamente à classe mais abastada, gozavam de uma posição estratégica sem igual: monopolizando a interpretação da Sagrada Escritura, eles se tornaram os guias espirituais do povo, influenciando profundamente a vida social e determinando até mesmo as regras que dirigiam o culto. Sua grande autoridade se firmava sobre uma tradição esotérica: não ensinava tudo o que sabiam e escondiam ao máximo a maneira como chegavam a determinadas conclusões.
Após a destruição de Jerusalém e do Templo, foram os escribas e os fariseus que deram uma nova forma à religião judaica, tornando-a eminentemente uma religião da palavra.
5) Os fariseus - Fariseu quer dizer separado. Inicialmente aliados à elite sacerdotal e aos grandes proprietários de terra, os fariseus se afastaram para dirigir o povo, embora mantivessem distância do povo mais simples, julgado ignorante e não cumpridor da Lei.
Segundo os fariseus, esse povo mais simples era um povo maldito, pois, desconhecendo a Lei, não poderia se salvar. Os fariseus eram nacionalistas e hostis ao império romano, mas sua resistência era do tipo passivo. O grupo dos fariseus era formado por leigos provindos de todas as camadas da sociedade, principalmente artesãos e pequenos comerciantes. A maioria do clero pobre, que se opunha à elite sacerdotal, também começou a fazer parte desse grupo.
No terreno religioso, os fariseus se caracterizavam pelo rigoroso cumprimento da Lei em todos os campos e situações da vida diária. Eram conservadores zelosos e também criadores de novas tradições, através da interpretação da Lei para o momento histórico em que viviam. A maior expressão do farisaísmo foi a criação da sinagoga, opondo-se ao Templo, dominado pelos saduceus.
Desse modo, a sinagoga com a leitura, interpretação dos textos bíblicos e a oração, tornou se uma expressão religiosa oposta ao sistema cultual e sacrifical do Templo.
Os fariseus acreditavam na predestinação, na ressurreição e no messianismo. Esperavam um messias político-espiritual, cuja função seria precipitar o fim dos tempos e a libertação de Israel. Esse messias seria alguém da descendência de Davi. E os fariseus acreditavam que a vinda do Messias dependia da estrita observância da Lei, da oração e do jejum.
6) Os zelotas - O nome zelota é atribuído a todo aquele que aderiu a um partido radical nascido na Galiléia, no tempo de JESUS e na época imediatamente posterior. O termo indica alguém que demonstra zelo, entusiasmo.
O partido dos zelotas era formado por pessoas pertencentes à classe dos pequenos camponeses e das camadas mais pobres da sociedade, que estavam sendo massacrados por um sistema fiscal impiedoso.
O radicalismo dos zelotas provinha do desejo de expulsar os dominadores romanos, através de uma luta armada. O fundamento que sustentava essa luta nacionalista era de cunho religioso: queriam instaurar na Palestina um Estado onde DEUS fosse o único rei, representando por um descendente de Davi, o Messias. Os zelotas estavam convencidos de que a aceitação de uma dominação estrangeira e o pagamento dos impostos a um soberano estrangeiro era uma blasfêmia contra DEUS.
Embora sendo uma minoria, os zelotas formavam um grupo muito ativo; os Judeus e os romanos os consideravam subversivos. Usavam táticas que se assemelham muito às de terroristas modernos: atacavam e matavam estrangeiros e também Judeus suspeitos de colaborar com os romanos. Um grupo deles chegou a organizar uma espécie de guerrilha urbana; usavam um punhal que sempre traziam escondido sob o manto e, por isso, eram chamados de “sicários” (apunhaladores).
Provavelmente pelo menos um dos apóstolos de JESUS pertenceu ao partido dos zelotas: Simão (cf. Lc 6,15; At 1,13). Simão Pedro, às vezes, parece adotar idéias e até métodos zelotas.
O que é Sinagoga?
É o Templo, isto é, o lugar de culto que o povo freqüentava, principalmente por ocasião das grandes festas. Na vida comum, porém, o centro religioso era constituído pela sinagoga, presente até mesmo nos menores povoados. Era o lugar onde o povo se reunia para a oração, para ouvir a palavra de DEUS e para a pregação.
Qualquer israelita adulto podia fazer a leitura do texto bíblico na sinagoga e podia escolher o texto que quisesse. Depois da leitura, também qualquer adulto podia fazer a pregação, explicando o texto e relacionando-o com outros textos. Em geral, exaltava-se a DEUS e procurava-se dar uma formação para a fé do povo, convidando-o a viver segundo a Lei de Moisés. Pelos Evangelhos sabemos que, pelo menos uma vez, JESUS, que era leigo, se apresentou para fazer a leitura do texto e interpretá-lo (Lc 4,16-30).
O sacerdote não tinha uma função especial na sinagoga, porque esta não era lugar de culto litúrgico. Embora qualquer adulto pudesse presidir a reunião, nem todos o faziam, ou por serem analfabetos ou por não se julgarem preparados para um comentário. As reuniões acabavam então sempre animadas pelos escribas e fariseus que, cada vez, propagavam mais suas idéias e aumentavam sua influência sobre o povo, adquirindo prestígio cada vez maior.
Em geral, a sinagoga pertencia à comunidade local. Nos
povoados menores, ela servia também como escola para jovens e crianças.
Nos centros maiores, construíram-se salas de aula ao lado da sala de
reunião. Em Jerusalém, algumas sinagogas tinham até hospedagem
e instalação de banheiros para peregrinos. Até hoje a sinagoga
é a casa de oração e reunião dos Judeus espalhados
pelo mundo.
Quem foram os profetas?
Foram homens corajosos chamados por DEUS para proclamar a verdade e denunciar o erro. Os profetas bíblicos sempre exerceram uma atração fascinante pela sua coragem de questionar uma situação presente e vislumbrar, assim, um futuro diferente para o seu povo. Tanto isso é verdade que muitos chegam a confundir os profetas com adivinhadores do futuro; outros chegaram a pensar que eles ensinavam coisas absolutamente novas.
Na verdade, porém, os profetas têm aspecto profundamente “conservador”. Mas não se trata de conservadorismo paralisante, que quer preservar a todo custo uma estrutura vigente, criando paredões para que o povo não vitalize a vida do povo. Muito ao contrário: o profeta é “conservador” justamente porque sabe romper essa casca dura que faz ver, pensar e agir de acordo com aqueles que dominam e oprimem.
O profeta é “conservador” no sentido que busca encontrar a verdadeira tradição, aquela que se achava perdida e indefesa no meio de tantas “tradições” criadas para defender interesses, para legitimar poderes e para sustentar sistemas. E o cerne dessa situação legítima que os profetas encontram é chamada de “fé exodal”, isto é, o reencontro com o verdadeiro DEUS revelado a Moisés, retornando à afirmação central do credo histórico de Israel: “Eu sou Javé teu DEUS, aquele que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão” (Ex20, 2; Dt 5,6).
Portanto, os profetas nos ensinam que os verdadeiros conservadores
são aqueles que buscam na ação histórico-libertadora
de DEUS a sua inspiração. É a partir daí que eles
analisam a situação presente mostrando assim qual é o projeto
de DEUS para o futuro do seu povo.
Juizes
Juízes foram instrumentos eficazes de DEUS para manter acesa a fé do povo e não deixá-lo perder sua identidade de “povo de DEUS”. O livro é pois, a história de um povo mergulhado na História. Relata fatos situados ente 1200 e 1020 a.C.: a continuação da conquista da Terra Prometida e a vida das tribos até o início da monarquia. Trata-se de um tempo de “democracia” (Jz 21,25) e cheio de dificuldades.
As tribos são governadas por chefes que têm um
cargo vitalício (juizes menores); nos momentos de grande dificuldade
surgem chefes carismáticos (juizes maiores), que unem e lideram as tribos
na luta contra os inimigos.
O mais importante em Juizes é a chave de leitura da história,
que vale não só para o livro, mas para toda a história
de Israel e também para a nossa. Essa chave é exposta em Jz 2,6-23
e reaparece diversas vezes no livro. Pode ser resumida em quatro palavras: pecado,
castigo, conversão e Salvação.
Pecado: a nova geração do povo esquece o DEUS libertador e adora os ídolos; perde sua identidade de povo de DEUS e torna-se semelhantes às outras nações.
Castigo: o povo perde a liberdade e torna-se escravo dos inimigos.
Conversão: no extremo do sofrimento o povo toma consciência,
se arrepende e suplica de novo para que DEUS o liberte.
Salvação: DEUS faz surgir um líder carismático que
reúne o povo e o lidera na luta pela libertação. Mas a
nova geração de novo se esquece, adora os ídolos... e o
movimento se repete.
Experimente ler Juizes, a história de Israel é
a nossa própria vida e história e pergunta chave da leitura é
o castigo. Por que estamos sofrendo hoje? Depois procure identificar quais ídolos
que estamos servindo, em vez de servir ao DEUS que liberta.
Por onde começar ler a Bíblia?
É muito relativo determinar por onde se deve começar a leitura da Bíblia. Depende muito da realidade e da experiência de cada comunidade ou de cada pessoa. Entretanto arrisco a dar uma sugestão.
A Bíblia, biblioteca do povo de DEUS, converge para um centro que ilumina o passado e o futuro: o mistério pascal de JESUS – sua encarnação, atividade, paixão, morte e ressurreição. É a partir desse centro experienciado e refletido pelas comunidades cristãs que encontramos a ligação, o cimento que une toda essa biblioteca. É em JESUS Cristo que a história do povo do AT vai adquirir seu significado pleno dentro do projeto de DEUS e será modelo para todas as comunidades que formam o novo povo de DEUS em todos os tempos e lugares.
Portanto, para quem inicia a longa tarefa de percorrer a Bíblia, para nela desvendar a vontade de DEUS, o fará com mais segurança e luz se começar a lê-la e estudá-la a partir de um primeiro contato com o seu personagem central: JESUS.
O livro que é mais indicado para esse primeiro contato com JESUS é o Evangelho de Marcos. E por várias razões: conforme estudos mais recentes, foi o primeiro Evangelho a ser escrito; é o mais curto e o mais simples dos Evangelhos; Marcos tem como objetivo justamente responder à pergunta: “Quem é JESUS?” Depois de termos “saboreado” pacientemente o Evangelho de Marcos, depois de conhecermos o “começo da Boa Notícia de JESUS Cristo, o Filho de DEUS” (Mc 1,1), poderemos então começar do início, do Gênesis.
Lendo sem pressa, mas ao mesmo tempo sem a preocupação
de entender os detalhes, aos poucos conheceremos as experiências de um
povo, com suas fidelidades e infidelidades, seus conflitos, suas esperanças.
A partir de JESUS, iremos reconhecendo na história do povo da Bíblia
o que é projeto de DEUS e o que não é. E a nossa vida e
história também serão iluminadas pelo caminho desse povo.
Sugestões para a leitura orante feita em grupo
“JESUS apresentou-se no meio deles e disse: ‘A Paz esteja com vocês!’ Em seguida, abriu-lhes a mente pra que entendessem a Escritura.” E disse ainda: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse. Ele vos conduzirá aa verdade plena” Lc24,36.45; Jo14,26;16.13.
1. Acolhida, oração
• Acolhida e breve partilha das expectativas
• Oração inicia, invocando a luz do Espírito Santo.
2. Leitura do texto
• Leitura lenta e atenta, seguida por um momento de silêncio.
• Ficar calado, para que a Palavra possa calar em nós.
• Repetir o texto em mutirão, tentando lembrar tudo que foi lido.
3. O sentido do texto
• Trocar impressões e dúvidas sobre o sentido do texto.
• Se necessário, ler novamente e esclarecer-se mutuamente.
• Um momento de silêncio para assimilar tudo o que foi ouvido.
4. O sentido para nós.
• Ruminar o texto e descobrir o seu sentido atual.
• Aplicar o sentido do texto à situação que vive.
• Alargar o sentido, ligando-o com outros textos da Bíblia.
• Situar o texto no Plano de Deus que se realiza na história.
5. Rezar o texto
• Ler de novo o texto com todo a atenção
• Momento de silêncio para preparar a resposta a Deus.
• Rezar o texto, partilhando as luzes e forças recebidas.
6. Contemplar, compromete-se
• Expressar o compromisso a que a Leitura Orante nos levou.
• Resumir tudo numa frase para levar consigo durante o dia.
Todos elevaram a voz a Deus: “Senhor, tu criaste o céu,
a terra, o mar e tudo que existe neles. Por meio do Espírito Santos disseste
por meio do teu servo Davi, nosso pai: ‘Por que se amotinam as nações,
e os povos planejam em vão? Os reis da terra se insurgem e os príncipes
conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu Messias’. Agora, Senhor
, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente
a tua palavra”. Quando terminaram a oração, estremeceu o
lugar em que estavam reunidos. Todos, então ficaram cheio do Espírito
Santo e, com coragem, anunciavam a Palavra de Deus. At4,24-31