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EIXOS DA VIDA CRISTÃ
A vida cristã nos ajuda a ser mais humanos, mais
discípulos e mais santos. Os cristãos são chamados a
ser a alma do mundo. Vamos focalizar alguns eixos da vida cristã, buscando
uma sociedade nova.
1. Vida humilde. Significa viver com simplicidade e sobriedade. É uma
vida sem apegos, sem desejo de aparência, aplauso, sucesso material.
Vida pobre e nobre, livre de competições, carreirismos, interesses
egoísticos. É uma vida escondida com Cristo em Deus. Eis o tesouro.
2. Fidelidade inabalável. Ser fiel é próprio do amor
e do respeito pelo outro. Fidelidade ao ser, à palavra dada, às
promessas, aos compromissos. Fidelidade sim, corrupção não.
Como precisamos de fidelidade conjugal e social. Longe de nós a duplicidade,
a mentira, a falsidade. Viva a coerência e a transparência.
3. Modéstia nas palavras. Evitar o grito, o palavrão, a demagogia,
a fofoca e a vanglória é ter modéstia nas palavras. Uma
coisa é ter auto-estima positiva, outra coisa é o endeusamento
de si, a gabolice, o palavrório, a lábia. Melhor é o
silêncio, a escuta e a palavra certa, na hora certa, do jeito certo.
4. Justiça nas ações. Nossos gestos e ações
falam mais alto que as palavras. A justiça nas ações
é evitar o julgamento, a discriminação, o preconceito.
Não fazer acepção de pessoas e evitar desigualdades.
Precisamos da balança justa, do salário justo, do negócio
justo, enfim, de uma sociedade justa que brota do coração justo.
O primeiro passo do amor é a justiça.
5. Misericórdia no coração. A misericórdia aceita,
abraça e perdoa toda miséria. Pela misericórdia colocamos
um limite ao mal. A misericórdia vence a violência pela concórdia,
o perdão e a reconciliação. A misericórdia é
a resposta de Deus ao mau uso que fazemos da liberdade. Sem a misericórdia
acabaríamos no desespero e na espiral da violência.
6. Disciplina nos costumes. Disciplina é educação que
nos faz discípulos. Sem disciplina ninguém amadurece, pelo contrário,
permanecemos infantis, intolerantes, prepotentes e depois delinqüentes.
Pela disciplina nos humanizamos, adquirimos o bom senso, superando as pulsões,
paixões e interesses egocêntricos.
7. Tolerância nas injúrias. Não perder a serenidade e
a paz nas injúrias é a perfeita alegria. Tolerância é
abertura, compreensão, aceitação do diferente, ecumenismo.
A tolerância leva ao diálogo e aceitação do outro,
da alteridade, do plural. A tolerância vence o fanatismo, a prepotência,
o autoritarismo, o rigidismo.
8. Alegria na convivência. A alegria é saudável para a
pessoa e o ambiente, a família, a empresa, a comunidade. Alegria é
aceitação de si e a capacidade de dar sentido à vida
mesmo no sofrimento. Alegria é terapia, comunicação,
simpatia, um verdadeiro testemunho de fé e de felicidade.
9. Coragem no sofrimento. A coragem vem do coração, do humor,
do espírito, mas principalmente da fé. É recomeçar,
ter esperança, lutar, ter olhar positivo. A coragem vem da esperança
e da positividade da pessoa que se fundamenta nos valores e motivações
positivas.
10. Firmeza na fé. Quem tem fé, vence o mundo, derrota a dúvida,
alcança a cura, encontra soluções, olha para a frente,
supera o medo. Daí a necessidade da firmeza na fé que significa
entrega de si, adesão, opção, confiança, saber
abandonar-se e apoiar-se em Deus, nos valores, nas pessoas e em nós
mesmos.
11. Perseverança na tribulação. Vivemos entre as tribulações
do mundo e as consolações de Deus (S. Agostinho). Perseverar
no difícil é ter o dom da fortaleza. É a perseverança
que nos salva. A resistência na tribulação é alimentada
pela esperança e pela paciência. Do mal Deus faz nascer o bem.
Ter a ousadia de não desanimar, desistir é o preço da
vitória, do sucesso, da felicidade.
12. Paciência em todas as coisas. A paciência é a ciência
da paz. Quem tem paciência sai de si, compreende o outro, sofre as demoras,
olha o lado positivo e tem a certeza interior que dá discernimento.
Paciência não é moleza, passivismo, entreguismo, pelo
contrário, requer força de vontade, capacidade de resistência,
largueza de alma.
Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Artigo publicado na Folha de Londrina, 12 de abril de 2008