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OS FILHOS E OS PAIS
É muito comum a ingratidão dos filhos.
Quando crescem, tornam-se adultos e auto-suficientes. Os laços da necessidade,
da dependência se rompem. E muitas vezes os do amor também. Os
pais tornam-se mais velhos e, consequentemente, necessitam mais da ajuda crescente
dos filhos. E os papéis parecem se inverter. E àquele que é
jovem e forte, representa um peso a dependência dos pais. Só
compreenderão verdadeiramente quando viverem o papel de pais, na medida
em que envelhecerem e se perceberem na mesma posição em que
um dia estiveram seus pais.
É por isso que temos a oportunidade de vivenciar estes dois papéis,
muitas vezes. É preciso quebrarmos estes elos que nos prendem a esta
matriz de comportamento. Mas só quando percebermos os nossos laços
familiares como a mola propulsora do nosso crescimento espiritual. Nossa família
aqui na Terra tem este objetivo e não podemos olvidá-lo. Entretanto,
nossos caminhos são individuais. Todos nós, pais e filhos devemos
aprender a caminhar com nossas próprias pernas. Quando pequenos precisamos
do apoio, do direcionamento e da educação que vêm de nossos
pais. É natural que quando a necessidade desses cuidados cesse, aconteça
um certo distanciamento.
E, aos pais, este acontecimento não deve trazer-lhes mágoas.
A sua vida não é a vida de seus filhos. Porém, quando
realmente estamos caminhando com as nossas pernas, quando avançamos
em nossa senda espiritual, a gratidão e aceitação mútuas
ocorrem com naturalidade. Pois se estamos todos crescendo e nos ajudando mutuamente,
estamos todos no mesmo barco, navegando em direção ao nosso
Pai, de quem somos sempre, filhos.
Os pais precisam ver também seus filhos como um meio de trabalhar também
com as suas dificuldades pessoais. Os filhos precisam ver nos pais, seus colaboradores,
aqueles que, se estão nesta posição, neste momento, são
capazes de guiá-los.
Entretanto, pais e filhos, além de seres com forte ligação
familiar, são espíritos em evolução e devem amar-se,
como tais, com desapego, responsabilidade e, acima de tudo, com respeito que
cada um merece.
Honrar pai e mãe: Quantos são
os filhos que podem dizer que honraram seu pai ou sua mãe, no sentido
mais amplo da palavra? Que podem dizer que os amaram e os respeitaram?
São poucos, infelizmente muito poucos, os capazes de tornarem-se verdadeiros
amigos de seus pais, fazendo-os confidentes e conselheiros.
Muitos não gostam da interferência dos pais que, no fundo, só
querem ajudá-los a não cair tombos mais sérios. Não
querem que os pais interfiram em suas vidas, causando um incômodo maior
do que desejassem.
Filhos, meditem sobre o tratamento que impõem aos seus pais. Afinal,
estão aqui porque eles decidiram que viessem. Podiam não ter
acatado a incumbência ou, de uma maneira mais drástica, tê-los
abortado.
Olhem para essas criaturas que já merecem o maior carinho e respeito
por ter-lhes possibilitado o sopro divino da vida.
Olhem por eles. A cada dia que se esvai, suas vidas também correm junto
com o relógio do tempo e, depois que se forem, o remorso não
os trará de volta.
Tratem-nos com amor, delicadeza, dedicação, lembrando-se também
que são pais ou poderão vir a sê-lo e, com certeza, não
iriam gostar do desamor daquela criatura por quem tanto sacrificaram a vida.
Filhos, olhem para eles ainda que, muitas vezes, não tenham sido os
pais que quisessem. Mesmo se foram incompreensivos, ranzinzas, e até
violentos. Desculpem-nos por amor a Deus, pois são criaturas que aqui
estão para serem aperfeiçoadas na luz de Deus.
Perdoem-nos com a leveza de um coração cristão. E tenham
a certeza de que, um dia, eles serão imensamente gratos pelas lições
de vida que aprenderam com seus próprios filhos.
Fiquem na divina paz de Deus.
Com amor
Um pai