INFA - INSTITUTO DA FAMÍLIA
– RIO DE JANEIRO
correio infa # 36–02 de novembro de 2009 - www.infa.org.br
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FUNDADO PELO MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO-MFC
RIO DE JANEIRO
ESTE É UM PROGRAMA DE FORMAÇÃO FAMILIAR E SOCIAL DO INFA
APRECIAREMOS COMENTÁRIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES.
SE DESEJAR, RETRANSMITA PARA SUA LISTA DE CORRESPONDENTES
Nossas crianças: estamos formando futuros cidadãos ou consumistas?
Pesquisas indicam que as crianças brasileiras costumam passar 4 horas
por dia na escola e o dobro de olho na TV. Impressiona o número de
peças publicitárias destinadas a crianças ou que as utilizam
como isca de consumo.
Criança: Cidadã ou Consumista?
Frei Betto*
A pesquisadora Susan Linn, da Universidade de Harvard, constatou que o excesso
de publicidade causa nas crianças distúrbios comportamentais
e nutricionais. De obesidade precoce, pela ingestão de alimentos ricos
em açúcares ou gorduras saturadas, como refrigerantes e frituras,
à anorexia provocada pela obsessão da magreza digna de passarela.
Sexualidade precoce e desajustes familiares são outros efeitos da excessiva
exposição à publicidade. São menos felizes, constatou
a pesquisadora, as crianças influenciadas pelas ideias de que sexo
independe de amor, a estética do corpo predomina sobre os sentimentos,
a felicidade reside na posse de bens materiais.
Impregnada desses falsos valores, tão divulgados como absolutos, a
criança exacerba suas expectativas. Ora, sabemos todos que o tombo
é proporcional ao tamanho da queda. Se uma criança associa a
sua felicidade a propostas consumistas, tanto maior será sua frustração
e infelicidade, seja pela impossibilidade de saciar o desejo, seja pela incapacidade
de cultivar sua autoestima a partir de valores enraizados em sua subjetividade.
Torna-se , assim, uma criança rebelde, geniosa, impositiva, indisciplinada
em casa e na escola.
A praga do consumismo é, hoje, também uma questão ambiental
e política. Montanhas de plástico se acumulam nos oceanos e
a incontinência do desejo dificulta cada vez mais uma sociedade sustentável,
na qual os bens da Terra e os frutos do trabalho humano sejam partilhados
entre todos.
Um dos fatores de deformação infantil é a desagregação
do núcleo familiar. No Dia dos Pais um garoto suplicou ao pai, em bilhete,
que desse a ele tanta atenção quanto dedica à TV... Um
filho de pais separados pediu para morar com os avós após presenciar
a discussão dos pais em que, um e outro, queriam se ver livres dele
no fim de semana.
Causa-me horror o orgulho de pais que exibem seus filhos em concursos de beleza.
Uma criança instigada a, precocemente, prestar demasiada atenção
ao próprio corpo, tende à esquizofrenia de ser biologicamente
infantil e psicologicamente "adulta". Encurta-se, assim, seu tempo
de infância. A fantasia, própria da idade, é transferida
à TV e ao apelo de consumo. Não surpreende, pois, que, na adolescência,
o vazio do coração busque compensação na ingestão
de drogas.
Com frequência pais me indagam o que fazer frente à indiferença
religiosa dos filhos adolescentes. Respondo que a questão é
colocada com dez anos de atraso. Se os filhos fossem crianças, eu saberia
o que dizer: ore com eles antes das refeições; leiam em família
textos bíblicos; evitem fazer das datas litúrgicas meros períodos
de miniférias, como a Semana Santa e o Natal, e celebrem com eles o
significado religioso dessas efemérides; incutam neles a certeza de
que são profundamente amados por Deus e que Deus vive neles.
Crianças são seres miméticos por natureza. A melhor maneira
de interessar um bebê em música é colocá-lo ao
lado de outro que já tenha familiaridade com um instrumento musical.
Ora, o que esperar de uma criança que presencia os pais humilharem
a faxineira, tratarem garçons com prepotência, xingarem motoristas
no trânsito, jogarem lixo na rua, passarem a noite se deliciando com
futilidades televisivas?
Criança precisa de afeto, de sentir-se valorizada e acolhida, mas também
de disciplina e, ao romper o código de conduta, de punição
sem violência física ou oral. Só assim aprenderá
a conhecer os próprios limites e respeitar os direitos do outro. Só
assim evitará tornar-se um adulto invejoso, competitivo, rancoroso,
pois saberá não confundir diferença com divergência
e não fará da dessemelhança fator de preconceito e discriminação.
É preciso conversar com elas, através da linguagem adequada,
sobre situações-limites da vida: dor, perda, ruptura afetiva,
fracasso, morte. Incutir nelas o respeito aos mais pobres e a indignação
frente à injustiça que causa pobreza; senso de responsabilidade
social (há dias vi alunos de uma escola varrendo a rua), de preservação
ambiental (como a economia de água), de protagonismo político
(saber acatar decisão da maioria e inteirar-se do que significam os
períodos eleitorais).
Se você adora passear com seu filho em shoppings, não estranhe
se, no futuro, ele se tornar um adulto ressentido por não possuir tantos
bens finitos. Se você, porém, incutir nele apreço aos
bens infinitos - generosidade, solidariedade, espiritualidade - ele se tornará
uma pessoa feliz e, quando adulto, será seu companheiro de amizade,
e não o eterno filho-problema a lhe causar tanta aflição.
Saber educar é saber amar.
*Escritor, assessor de Movimentos Sociais. Autor de "Calendário
do Poder" (Rocco), entre outros livros.
Concordamos com estas indicações do autor sobre os equívocos
que talvez estejam presentes na nossa função de pais formadores
de pessoas?
Como formar nossas crianças para a cidadania e vivência de valores
éticos desde a infância e adolescência?
Quais as atitudes dos pais que formam filhos mais conscientes e responsáveis?
Quais, ao contrário, levam à formação de filhos
consumistas e alienados da realidade?
Frases
“Você deve ser a própria mudança que deseja para
o mundo”. (Ghandi)
“Experiência não é o que acontece com uma pessoa,
mas o que ela faz com aquilo que lhe acontece”. (Aldous Huxley)
“A modernidade produziu um mundo menor que a humanidade”. (Herbert
de Souza / Betinho).
Utilidade Pública
O crack é a mais destruidora das drogas. É um subproduto não
refinado de cocaína misturado com bicarbonato de sódio e água,
para ser queimado produzindo uma fumaça que penetra rapidamente nos
pulmões e chega em apenas 10 segundos ao cérebro. Produz um
prazer efêmero de menos de cinco minutos que logo se transforma em depressão,
ansiedade e agressividade, deixando efeitos devastadores por todo o corpo.
Por ser barato, está se disseminando assustadoramente. Da primeira
tragada ao vício é um pulo, início de um caminho sem
volta. Os pais devem estar atentos a qualquer indício de perigo para
agir enquanto é tempo.
Pensando...
A pessoa humana é um ser social, por excelência. Ela necessita
de comunicar-se constantemente com os outros. Quando foge, isolando-se do
contato com o semelhante, embrutece-se.
Momentos há, em verdade, que necessitamos ficar a sós, fechando-nos
em uma introspecção sadia, numa autoanálise do próprio
mundo íntimo, a fim de nos conhecer melhor. Tais ocasiões, mais
exceção que regra, é que nos tornarão capazes
de entender e conviver com os demais em sociedade.
Uma das atitudes mais simples e essenciais ao ser humano é dialogar.
Quando conversamos, estabelecemos contato vital com o mundo à nossa
volta. Dialogar é a maior fonte de prazer que possuímos. Através
deste intercâmbio, por diálogos construtivos e enobrecedores,
transmitimos experiências e absorvemos as dos outros. Além do
enriquecimento pessoal, avaliamos nossos sentimentos de solidariedade e cooperação.
Não desperdice os diálogos e incentive-os na própria
vida.
(Do livro "Pequenas Atitudes", de Joamar Z. Nazareth, Minas Editora,
3a. edição, 2005).
O INFA tem atualmente nos seus 3 Centros de Atendimento 900 pacientes de baixa
renda em diversas terapias: psicológica, fonoaudiológica, psicopedagógica
e outras afins, a cargo de 70 profissionais dessas especialidades, com apoio
de assistentes sociais. Cerca de 1800 pacientes passam por essas terapias
anualmente.
INFA – ENTIDADE FILANTRÓPICA, SEM FINS LUCRATIVOS, UTILIDADE
PÚBLICA FEDERAL, ESTADUAL, MUNICIPAL, REGISTRADA NOS CONSELHOS NACIONAL
(CNAS) E MUNICIPAL RIO DE JANEIRO (CMAS), E CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (CMDCA).
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